Referência em inclusão e acessibilidade!
ACESSO GRÁTIS| Leitor de Tela
Dia 6 de junho de 2016 | Por Cintia Alves | Sobre Espaço TILs

Conteúdo em Libras

Texto em Português

Na edição anterior da Revista D+ falamos sobre a importância do bom uso do tempo escolar e da reflexão sobre a função do tradutor/intérprete de língua de sinais dentro da escola, também como um agente de construção e reflexão do ato interpretativo e da profissionalização da categoria.

Na mesma linha de pensamento, trazemos a importância e necessidade da escrita como propulsora de reflexão para aperfeiçoar o trabalho do Tils. O registro das atividades profissionais pode ter múltiplas formas e funções. Por ser um instrumento que guarda a memória do percurso profissional, possibilita ao Tils voltar várias vezes às próprias práticas de uma forma mais distanciada, sem a presença das demandas e urgências do cotidiano da sala de aula ou do lócus de tradução/interpretação.

Essa escrita pode assumir o aspecto de um diário de trabalho contendo a descrição do ato interpretativo; de um caderno de reflexões sobre as traduções e interpretações realizadas; anotações de termos ou conteúdos que foram difíceis de traduzir/interpretar para pesquisa posterior; ou ainda todas as situações juntas.

O registro da prática permite que o Tils identifique como seu repertório de escolhas para o ato tradutório/interpretativo vai se ampliando diante de diferentes situações. Tornar a prática como um objeto de reflexão faz parte da formação contínua do profissional.

Voltar periodicamente às próprias anotações faz com que o tradutor/intérprete possa identificar quais escolhas fazia, como costumava agir em determinados momentos e como age agora em situações semelhantes. Esse movimento é importante já que possibilita ao Tils tomar consciência da sua ação no ato tradutório/interpretativo, além de estimular a reflexão e o aprimoramento da sua prática.

Contudo, para que o registro possa cumprir essa função, é fundamental que seja produzido de forma sistemática. Caso contrário, perde-se a oportunidade de registrar dados importantes sobre o desenvolvimento de determinadas ações ou escolhas ao longo de um período. Outro aspecto crucial é o conteúdo a ser registrado, ou seja, as informações não podem ser descritas de forma breve ou descontextualizada, pois precisam ser compreendidas quando forem utilizadas em outros momentos. Quando o Tils explicita suas ações, intenções e escolhas, pode encontrar outros significados, mesmo que elas tenham sido registradas há muito tempo.

Pensar sobre a própria prática é um bom caminho para: identificar as suas escolhas, reconhecer características específicas da faixa etária com a qual trabalha, averiguar quais escolhas foram mais eficientes para a compreensão do conteúdo pelos surdos, dentre outras. Assim, aos poucos, o tradutor/intérprete de língua de sinais vai construindo a sua identidade profissional e ocupando um lugar, que lhe é devido, nos espaços de atuação e na sua carreira.

À medida que o Tils analisa sua prática, faz registros e relê seus escritos, pode tornar-se cada vez mais reflexivo. Lino de Macedo escreve que “(…) refletir é ajoelhar-se diante de uma prática, escolher coisas que julgamos significativas e reorganizá-las em outro plano para, quem sabe assim, podermos confirmar, corrigir, compensar, substituir, melhorar, antecipar, enriquecer, atribuir sentido ao que foi realizado.”

Além disso, o ideal é que o registro tenha um interlocutor, ou seja, possa ser lido ou compartilhado com outros profissionais da área para que a reflexão seja ampliada, o que pode contribuir para o (re)pensar da sua prática.

Para participar com perguntas e sugestões, escreva para silzajac@revistadmais.com.br.

Silvana Zajac é professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (LAEL/PUCSP), mestra em Educação (Unimep) e bacharelada em Letras/Libras (UFSC/Unicamp)

Posts Relacionados

Acesse a Revista D+