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Texto em Português

Por Silvana Zajac

Dentre as inúmeras competências necessárias a um tradutor/intérprete de língua, como, por exemplo, a competência linguística, que vimos na edição anterior da Revista D+, temos mais uma, a competência tradutória. Segundo Hurtado Albir, esta se caracteriza por um conhecimento especializado, integrado por um conjunto de habilidades, que singulariza o tradutor e o diferencia de outros falantes bilíngues não tradutores/intérpretes, ou seja, é ela que confere especificidade à tradução/interpretação como atividade intelectual e profissional. Desse modo, é necessário desmistificar a ideia de que uma pessoa que conhece ou se comunica em língua de sinais – mesmo o fluente nessa língua é, automaticamente, um tradutor/intérprete. Ou seja, as exigências são bem mais complexas, dado que os aspectos relacionados à competência tradutória são muito amplos. Para contribuir nesse processo formativo, apresentamos a seguir alguns pontos que devem ser observados pelos profissionais da área, a fim de possibilitar o desenvolvimento e ampliação dessa competência. São eles:

Sociolinguísticos: estão relacionados à produção e compreensão das cenas e expressões nos diversos contextos, considerando a situação e as intenções produzidas pelos interlocutores da língua fonte. Por exemplo, sentimentos, tom de voz, postura, dentre outros.

Discursivos: Refere-se aos gêneros e modalidades textuais utilizadas pelos interlocutores, no ato da interpretação/tradução. Imaginemos uma situação muito comum em sala de aula: após explicar a matéria, o professor pede aos alunos que leiam um determinado texto e respondam questões. Nessa situação, o discurso passa de uma modalidade oral (interpretação) para uma modalidade escrita (tradução), o que requer do Tils habilidades de combinar e manipular diferentes formas textuais e seus diferentes significados. Outro exemplo é a transição entre um discurso direto e indireto que requer, dentre outras, a habilidade de uso do sistema referencial anafórico.

Culturais: estão ligados às características da linguagem ou do discurso de um determinado grupo e sua cultura. No ato da interpretação/tradução é imprescindível que o Tils atente para este aspecto. Isso porque pode haver diferenças substanciais na interpretação do discurso de um aluno adolescente com diferentes interlocutores. Por exemplo, quando ele dirige uma pergunta sobre genética ao seu professor de biologia e quando dirige a um médico numa palestra sobre o mesmo assunto, em um congresso de medicina.

Os estudos sobre a competência tradutória são prementes na área da tradução/interpretação para que esse campo cresça e se profissionalize cada vez mais. Nas próximas edições traremos mais informações sobre as competências linguística e tradutória. Também conheceremos outras competências importantes para serem estudadas e ampliadas pelos Tils. Caso você tenha dúvidas, perguntas e sugestões para enriquecer esta seção, entre em contato conosco pelo e-mail tilsdmais@gmail.com.

*Silvana Zajac é doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (LAEL/PUCSP), mestre em Educação (Unimep), bacharel em Letras/Libras (UFSC/Unicamp), e formadora de Tils da Mais Inclusão.

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