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Dia 17 de fevereiro de 2018 | Por Audrey Scheiner | Sobre Notícias e Saúde
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De acordo com o Ministério da Saúde brasileiro, no período de 1º de julho de 2017 a início de fevereiro deste ano, foram registrados 213 casos de febre amarela, sendo que 81 pessoas foram a óbito. No ano passado (entre julho de 2016 e janeiro de 2017) foram 468 casos confirmados da doença e 147 mortes. Atualmente, já foram notificados 1.080 casos suspeitos, sendo que 432 foram descartados e 435 permanecem em investigação.

Apesar de ser a febre amarela silvestre – o vírus está circulando apenas em ambientes de mata –, especialistas apontam que a reurbanização da doença é iminente e os riscos de contaminação em massa nas cidades são altos. “Temos mosquito que transmite o vírus da doença nas cidades, como o Aedes Aegypti. Se não houver o controle desse vetor, o risco da febre amarela entrar nas cidades, diante do atual surto, é muito alto”, relata Bernardino Alves Souto, docente do Departamento de Medicina (DMed) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e líder do Grupo de Pesquisa Clínica e Epidemiológica Aplicada em Ciências da Saúde.

A vacinação contra a febre amarela é uma barreira importante, principalmente nesse momento de forte surto, “mas só com ela não vamos vencer essa guerra, ainda que possamos vencer uma primeira batalha. É preciso investir no combate eficaz do mosquito transmissor, o que também vai evitar outras doenças, como, dengue, chikungunya e zika, que ameaçam novas epidemias no Brasil”, afirma Alves Souto.

Pesquisa recente realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, comprovou o potencial de transmissão do vírus da febre amarela pelo Aedes Aegypti e também apontou para a importância do combate aos criadouros do mosquito. ” Combater os mosquitos é primordial para evitarmos epidemias ainda mais desastrosas”, reforça o professor da UFSCar.

Combate histórico e ineficaz

“O Brasil sempre combateu epidemias de dengue por meio de medidas de baixa eficiência; medidas focais de impacto paliativo e imediatistas mediante um modelo de gestão pouco produtivo e nunca enfrentou as causas socioambientais, políticas e econômicas da doença”, relata Alves Coutoo. Segundo o professor, o país sempre se negou a intervir no modelo social e urbano de desenvolvimento responsáveis por agravos dessa natureza. “Nosso sistema de saneamento ambiental, de coleta, reciclagem e destinação do lixo, de planejamento urbano, entre outros, são extremamente atrasados e subservientes aos interesses especulativos em detrimento do interesse da vida e do bem-estar das pessoas”, finaliza.

Prevenção

O professor da UFSCar aponta que, além das iniciativas do poder público, é preciso que a própria população esteja engajada na luta contra o mosquito e adote medidas de combate aos criadouros e de preservação do ambiente e da saúde.

Sem esses cuidados e essa força-tarefa integrada da sociedade, o pesquisador acredita que novas epidemias serão inevitáveis nos próximos anos e alerta que elas podem gerar impactos consideráveis nos âmbitos social, econômico e da saúde. “Epidemias de dengue, febre amarela, zika e chikungunya geram absenteísmo no trabalho, muito sofrimento físico e psicológico, algumas mortes, intensa sobrecarga ao serviço de saúde, aumento significativo nos custos do sistema de saúde, crescimento no consumo de medicamentos, além de complicações de outras doenças que o infectado já possui”, afirma Alves Couto.

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