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Cromossomo 21 estréia amanhã nos cinemas brasileiros
Dia 29 de novembro de 2017 | Por Mayra Ribeiro | Sobre Cinema e Notícias
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O que você faria se fosse impedido de amar? Essa é a indagação que o diretor Alex Duarte deseja que o público responda ao assistir o Cromossomo 21. Após sete anos de produção, o longa-metragem que retrata o romance entre uma moça com síndrome de Down e um jovem sem deficiência estréia amanhã (30/11) nas cidades de Belo Horizonte, Vitória, Porto Alegre, São Luiz Gonzaga, Santo Ângelo, São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro.

O filme conta a história de Vitória, que entre idas e vindas da vida encontra Afonso. Os dois se apaixonam e, para conseguirem ficar juntos, precisam enfrentar o preconceito da família do rapaz. “É um enredo sensível e denso. Apesar de não levantar a bandeira sobre a síndrome de Down, fala sobre o amor e as impossibilidades que a sociedade impõe tanto nos relacionamentos quanto nas pessoas. Tenho certeza que quem assistir sairá dos cinemas mais reflexivo e com crenças desconstruídas”, explica Duarte. A trama também aborda as questões de independência e sexualidade de pessoas com deficiência.

A ideia de desenvolver o projeto cinematográfico surgiu ainda no antigo emprego do diretor. “Eu era repórter e me pediram para fazer uma matéria com uma jovem com síndrome de Down que passou no vestibular para nutrição. Ela acabou com todos os meus pré-conceitos sobre o universo dessa deficiência”. A partir desse encontro, Duarte largou o emprego e se dedicou exclusivamente a conhecer Adrieli Pelentir. “Foram os oito meses mais intensos e extraordinários nos quais pude quebrar rótulos. Durante este tempo imaginei que eu poderia despertar o interesse das pessoas a lutar a favor da causa. Então, quis relatar essa história para que outros pudessem passar pelo que eu passei”.

Aos 30 anos Adrieli Pelentir tem formação em técnica de nutrição. Mas também atua como atriz e foi a responsável por dar vida à Vitória. “Ela tem uma personalidade muito forte. É decidida e luta pelos seus direitos.” Apesar de já ter experiência em filme, Adrieli diz que o papel foi desafiador. “Tive um pouco de dificuldade em decorar o texto porque as falas eram muito longas. Porém, com a ajuda dos meus pais e com o apoio do Alex eu consegui”.

Ao contrário de sua colega de elenco, o ator e humorista Luís Fernando Irgang está em um longa-metragem pela primeira vez. “Estou mais acostumado com o teatro, onde as características de atuação são bastante exageradas. Por sua vez, o cinema precisa de personagens mais reais e com expressões naturais. Portanto, foi gratificante, mas desafiador”.

O intérprete de Afonso teve o primeiro contato com uma pessoa com síndrome de Down durante as filmagens. “Contracenar com eles e em especial com a Adrieli foi um aprendizado. Ela sempre foi muito profissional e nos surpreendia a todo instante com uma capacidade de interpretação muito realista. Confesso que me emocionei e me diverti, principalmente nas cenas de romance,para as quais precisamos vencer as barreiras da timidez”.

Para o ator, o filme é uma oportunidade de abrir a mente dos expectadores. “Eu acredito que a estréia do Cromossomo 21 veio em uma hora oportuna para o país porque estamos vivendo em uma era de violência e intolerância. A sociedade não sabe lidar com as diferenças, quer impor sua maneira de agir e pensar. Já o longa-metragem passa uma mensagem de respeito, amor e harmonia. Acredito que o Brasil ainda tem muito o que avançar na questão da inclusão social, não só em políticas públicas, mas, na cultura de aceitar o ser humano como ele é”.

 

 

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