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Emílio Figueira - arquivo pessoal 2
Dia 28 de agosto de 2020 | Por Jessica Carecho | Sobre Notícias

Emílio Figueira*

Instituída pela Lei 13.585 de 26 de dezembro de 2017, a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, sempre entre os dias 21 a 28 de agosto. Durante esses dias, a Federação Nacional das Apaes (Fenapaes), abre debates para a reflexão da igualdade e inclusão social. E acredito que é um bom momento para levantarmos uma questão pouco debatida no Brasil.

Todo esse movimento de Inclusão é muito válido, mas tem um ponto que pouca gente se atenta. Ele só foca em crianças, jovens em idades escolar e pessoas com deficiência ingressando no mercado de trabalho. Não existe quase nada no Brasil sobre o nosso envelhecimento.

No geral, nas últimas décadas, o fato da população brasileira e mundial estar envelhecendo é reconhecido não só pelos especialistas de demografia, mas por todos. Como consequência desse fenômeno, aumentou o número de pessoas que passaram a experimentar limitações funcionais, em função do envelhecimento. Ainda que a chegada na terceira idade não signifique necessariamente perda da qualidade de vida, é inconteste que muitos idosos, no Brasil, estão longe de viver um processo de envelhecimento ativo e saudável. Isto ocorre em função do estilo de vida precário a que foram submetidos na infância, juventude e idade adulta.

Dentro do próprio movimento reivindicatório das pessoas com deficiência é cada vez maior o reconhecimento de semelhança na experiência de envelhecer para pessoas com e sem deficiência e entre as suas necessidades de suporte para uma vida independente. Ambientes acessíveis, disponibilização de cuidadores, de ajudas técnicas e outros serviços de apoio ao cotidiano são necessidades compartilhadas por pessoas idosas e por pessoas com deficiência.

Isso tem todo um fundo histórico. Até uma geração antes da atual, pessoas com vários tipos de deficiências morriam jovens pela falta de conhecimento, pesquisas, uma medicina avançada, medicamentos adequados, melhores condições de recursos e humanos, tecnologias reabilitacionais, dentre outros fatores.

Avançamos muito, embora ainda tenhamos muito que avançar. Isso faz toda a diferença. Consequência de uma vida mais participativa, prazerosa, com mais sentido e, finalmente, com melhor qualidade, como escreveu em um de seus artigos a minha amiga e jornalista Lia Crespo, pioneira do Movimento Político das Pessoas Com Deficiência no Brasil: “Nós somos a primeira geração de deficientes no país que vamos enterrar os nossos pais!”

Assim como todas as pessoas, quem tem deficiência intelectual, precisa ser percebida em todos os aspectos. Necessitará chegar à velhice com mais autonomia e independência. Continuar a receber as orientações necessárias para realizar as atividades do dia a dia, enquanto os profissionais a sua volta desenvolvam orientações para que elas tenham uma qualidade de vida melhor.

 

*Por causa de uma asfixia durante o parto, adquiriu paralisia cerebral, ficando com sequelas na fala e nos movimentos, mas nunca se deixou abater. Vive intensamente inúmeras possibilidades! É psicólogo pela USC, pós-graduado em Educação Inclusiva, atua há 34 anos como pesquisador-científico em instituições universitárias nas áreas da Educação Inclusiva e Psicologia e Pessoas com Deficiência. Possui Doutorado em Psicanálise, Doutorado em Teologia e extensão universitária em Docência do Ensino a Distância. Autor do livro “Psicologia e Inclusão – Intervenções psicológicas em pessoas com deficiência” (Wak Editora)

 

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