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Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Dia 6 de novembro de 2017 | Por Brenda Cruz | Sobre Comportamento e Notícias
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Educação inclusiva é a palavra de ordem das últimas décadas no mundo, em qualquer país onde se pretenda respeitar os direitos humanos. Nesse sentido, o tema da redação escolhido pelo Enem/2017 foi bem oportuno ao abordar o tema “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”. O diretor executivo da Revista D+ e doutorando da Usp, Prof. Rúbem Soares,  pesquisa o assunto há quase quinze anos. Seu trabalho de mestrado, defendido pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo em 2013 discutiu o tema “Educação bilíngue de surdos: desafios para a formação de professores”.

Bem a propósito, Soares está retornando ao Brasil, após participar de um congresso internacional em Portugal onde apresentou dois trabalhos versando sobre o tema. Segundo ele, em contatos com pesquisadores de outros países (inclusive países ricos do continente europeu), percebe-se que o Brasil encontra-se numa situação melhor do que muitos de seus parceiros em relação às políticas públicas para a educação de surdos. Rúbem Soares reconhece que, desde a aprovação da Lei da Libras em 2002 (Lei 10.436) e do Decreto que a regulamentou (Decreto 5.626/2015), diversos avanços foram alcançados para a melhoria do processo educacional do aluno surdo. Assim como no caso dos demais alunos com necessidades educativas especiais, o atendimento aos surdos vem caminhando lentamente, passando das escolas especiais (exclusivas) para as escolas comuns (inclusivas), popularmente conhecidas como escola regular. Tanto a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) – cuja parte do texto foi transcrito na prova do Enem para orientar a redação – quanto o próprio Plano Nacional de Educação reverberam os direitos conquistados pelos surdos na lei de 2002 e decreto de 2015. Mas, segundo Soares, a realidade ainda é muito aquém do ideal de uma educação de qualidade para os alunos surdos – como, de resto, para os demais alunos com e sem deficiência, embora estes, por óbvio, estão numa situação mais favorável do que aqueles.

Embora louvável a preocupação do Inep em abordar tema de tamanha relevância social no Enem, Soares tem um receio de que tal escolha possa trazer grande dificuldade aos candidatos Na articulação das ideias em suas redações. Isso porque tal tema não tem a atenção da grande mídia e nem mesmo faz parte de discussão ampla na maioria dos ambientes escolares – seja no ensino básico, seja no universitário. Contudo, iniciativas como essa tem como ponto positivo trazer o foco para o tema, que pode passar a merecer maior atenção da sociedade, vez que faz parte do rol de direitos humanos e não se pode passar ao largo na formação acadêmica oferecida aos nossos jovens.

Na sua pesquisa, Rúbem Soares discutiu quatro desafios para a formação educacional de surdos. Além de outras escolhas, o candidato à prova do Enem poderia ter escolhido um desses desafios para desenvolver uma bela redação. Para quem quiser conhecer os desafios discutidos pelo autor pode acessar o texto resumido que ele acabou de apresentar no Congresso em Portugal do dia 24 a 28 de outubro de 2017 – clique aqui e acesse o texto. No trabalho também tem a referência para quem quiser ler o texto completo da dissertação defendida  por ele em 2013 na USP.

 

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