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Destaque - Desempenho escolar pode ser prejudicado por desordem da audição
Dia 24 de janeiro de 2018 | Por Audrey Scheiner | Sobre Notícias e Saúde
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Ao apresentar dificuldades na escola, o adolescente pode passar para os pais um comportamento de desatenção, hiperatividade ou até mesmo dislexia. Porém, poucos avaliam que o problema pode estar na audição, é o que comenta a fonoaudióloga Cintia Fadini.

Cintia conta que há alunos que têm uma dificuldade no processamento perceptual da informação auditiva, chamada Transtorno (ou Desordem) do Processamento Auditivo (DPAC). Apesar de ser pouco conhecido, uma pesquisa realizada pelo instituto American Speech-Language Hearing Association (ASHA) revelou que o DPAC atinge 7% das crianças em idade escolar.

Esse transtorno tem como característica afetar as vias centrais da audição humana, ou seja, as áreas cerebrais relacionadas às habilidades auditivas e de interpretação das informações sonoras. A principal consequência do transtorno está no processamento das informações captadas pelas vias auditivas.

“A criança consegue ouvir claramente a fala humana. Não é considerada surda. Porém, ela tem grande dificuldade em decodificar e interpretar a mensagem recebida na presença de barulho, principalmente”, explica Cintia.

Segundo a profissional, as crianças com DPAC são consideradas preguiçosas e desatentas. Ela diz que geralmente são alunos que têm dificuldade de prestar atenção ou são agitados e, assim, têm seu desempenho acadêmico prejudicado. “O transtorno os impede de acompanhar e memorizar as instruções do professor. Então, acabam perdendo todo o foco da aula”.

Ela conta que é comum esses estudantes apresentarem dificuldades de aprendizagem ou trocam de letras na hora de ler e escrever. Muitos têm dificuldade de memória, cansam-se rapidamente quando estão assistindo às aulas ou palestras. Geralmente, não conseguem ouvir nem prestar atenção em ambientes com muitos ruídos. Quase sempre pedem para repetir uma pergunta ou frase, falando “o que?”, “hã?” ou “não entendi”. “Em muitos casos não conseguem conversar com muitas pessoas ao mesmo tempo e têm dificuldade para localizar de onde um som está vindo”, comenta.

Tratamento

O tratamento é realizado por meio de um treinamento auditivo, que pode ser feito em crianças a partir de seis anos de idade após o diagnóstico. O objetivo das sessões é buscar uma reorganização neuronal do sistema auditivo e das conexões com outros sistemas sensoriais, causando melhoria das habilidades que estavam anteriormente alteradas.

A partir de algumas sessões, muitos pacientes já apresentam melhoras significativas. A fonoaudióloga diz que recebeu em seu consultório uma jovem que chegou a repetir o ano escolar. “Ela não conseguia ler e sua autoestima estava muito comprometida. Mas após o tratamento, ela superou as dificuldades e, hoje, é uma criança feliz”.

“Infelizmente, muitos buscam tratamento em fonoaudiologia só após passarem por diagnósticos errôneos, inclusive de deficiência intelectual. É uma cena triste, já que são casos de pessoas inteligentes e completamente reabilitáveis”, finaliza Cintia.

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