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Dia 5 de agosto de 2016 | Por Revista D+ | Sobre Edição 10 e Paralimpíada

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Presidente do CPB diz que meta dos jogos no Rio é chegar ao 5º lugar no ranking de medalhas

Por Renata Lins

 

Andrew Parsons é Presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro. O carioca formado em jornalismo começou sua carreira na assessoria de imprensa do Comitê, e passou de estagiário à presidência. Ele dá uma entrevista otimista sobre os Jogos Rio 2016 e sobre o avanço do esporte paralímpico no Brasil. Leia a entrevista completa a seguir:

 

Revista D+: Você é jornalista, certo? Como foi seu envolvimento com o esporte paralímpico? Sua intenção desde o início era trabalhar nessa área?

Andrew Parsons: Sim. Sou formado em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Assim que o CPB montou a sua primeira sede, em Niterói (RJ), eu ainda era estudante de Comunicação e coloquei-me à disposição para fazer parte do movimento. Em algumas semanas, fui convidado para iniciar as atividades no departamento de comunicação, em setembro de 1997. Em 2001, assumi o cargo de secretário-geral. Em 2005, fui eleito presidente da APC (Comitê Paralímpico das Américas). Em 2009, assumi a presidência do CPB e, em 2013, fui reeleito para o cargo.

 

Quais foram seus maiores desafios desde que assumiu a presidência do Comitê Paralímpico Brasileiro em 2009?

Para mim, é um desafio muito grande conduzir o CPB neste momento, em que estamos prestes a receber os Jogos Paralímpicos em casa. E temos metas desafiadoras.  Ao mesmo tempo, é um prazer, uma honra, um privilégio e uma realização pessoal. Estou no CPB desde 2007, quando entrei como estagiário. Hoje, estou em meu segundo mandato na presidência e vou encerrar com os Jogos em casa. São desafios muito bons e o esporte, no geral, é desafiador no que diz respeito à gestão, a recursos (financeiros, materiais e humanos) e planejamento a longo prazo. É bem gratificante ver que nós temos conseguido avançar, estabelecer boa estrutura para as modalidades. Os resultados estão vindo.

 

Em que momento você percebeu que o movimento paralímpico ganhou força no país?
Acredito que principalmente depois de Atenas-2004, quando tivemos a transmissão dos Jogos Paralímpicos. Iniciamos um debate sobre o esporte paralímpico e sobre as pessoas com deficiência. Os Jogos Parapan-Americanos do Rio-2007 foram grandes catalisadores em termos de avanços, bem como os Jogos Paralímpicos do Rio-2016 serão. Estamos em franca evolução. E 2016 não é um ponto final.

 

Como você descreveria a relação das pessoas com deficiência e o esporte? Quais os benefícios que ele pode trazer na vida de alguém?

O esporte proporciona mudanças na vida de qualquer pessoa, seja ela deficiente ou não. Temos casos de atletas que antes de conhecer o esporte paralímpico eram desempregados e, graças à prática esportiva, conseguiram melhoras significativas em suas vidas, tanto na questão financeira quanto na questão social.  Eles utilizam o esporte como forma de mudança. Alguns já estão se preparando para o pós-carreira, investindo, fazendo faculdade.  Já para a sociedade, o esporte proporciona uma mudança de mentalidade, de quebra de barreiras. Vemos as pessoas aplaudindo, admirando, torcendo pelos nossos atletas. A deficiência passa a ser apenas mais uma característica da pessoa.

 

Em 2012 o Brasil conquistou uma ótima colocação no ranking de medalhas nas Paralimpíadas de Londres. Quais são as expectativas para os jogos Rio 2016?

A meta do CPB é alcançar o quinto lugar geral nos Jogos, melhorando em duas posições a colocação obtida em Londres-2012, quando a delegação brasileira ficou com o sétimo lugar, com 21 ouros, 14 pratas e oito bronzes. Neste sentido, o foco é a conquista de medalhas de ouro que são determinantes para atingirmos o 5º lugar no quadro de medalhas.

 

O fato de ter uma Paralimpíada em casa torna obrigatório um maior número de medalhas?
Claro que há uma pressão natural por estarmos em casa. Mas os Jogos envolvem mais de 170 países, mais de 4000 atletas e todos querem ganhar medalhas. Nós temos que tentar usar essa pressão ao nosso favor. Na verdade, jogar esta pressão para os outros países, pois a torcida estará do nosso lado. E o desempenho do Brasil nos últimos Jogos Paralímpicos mostra que já somos uma potência. Saímos da 24ª colocação no quadro de medalhas em Sydney-2000, com seis ouros, para a 7ª em Londres-2012, com 21 ouros. Talvez só a Ucrânia tenha tido uma ascensão tão grande. A meta de alcançar a 5ª colocação no Rio é baseada nos quadros de medalhas de Pequim 2008 e Londres 2012 e é bastante ousada, mas trabalhamos firmes com este objetivo.

 

O governo dá o apoio necessário às Paralimpíadas? Ou melhor, oferece o mesmo apoio que as Olimpíadas?

Na verdade, o governo apoia o esporte no Brasil, tanto paralímpico quanto olímpico. Desde janeiro deste ano, com a lei Agnelo/Piva, o percentual da arrecadação bruta dos concursos de prognósticos e loterias federais subiu de 2% para 2,7%, deduzido o valor dos prêmios. Deste total, 62,96% são destinados ao Comitê Olímpico Brasileiro e 37,04% para o Comitê Paralímpico Brasileiro. O CPB ainda conta com recursos de um convênio com o Ministério do Esporte, além de uma parceria com o Governo do Estado de São Paulo (Time São Paulo), de uma parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro (Time Rio) e do patrocínio da Caixa Loterias. Os programas voltados para os Jogos Rio 2016, como o Plano Brasil Medalhas, são administrados diretamente pelo Ministério do Esporte.

 

Como jornalista, você acredita ser satisfatória a cobertura que a imprensa faz aos jogos?
Esperamos que a imprensa cubra os Jogos Paralímpicos do Rio da mesma forma que vão cobrir os Jogos Olímpicos, com o mesmo nível de interesse. Nossos atletas representam o país e têm grandes chances de medalhas. É difícil apontar uma promessa apenas. Já temos muitos nomes consagrados, como Alan Fonteles, Terezinha Guilhermina, Daniel Dias, Lucas Prado, Yohansson Nascimento. Soma-se a eles, a nova geração, que chamamos de geração pós-Londres, como Talisson Glock, Verônica Hipólito, Lorena Spoladore…. o Brasil ainda não os conhece, mas são atletas que já conquistaram medalhas em mundiais e que certamente terão ótimos resultados no Rio de Janeiro e que merecem ser divulgados.

 

Levando em consideração a infraestrutura da cidade, a acessibilidade e a clara falta de segurança pública no Rio (que têm sido manchete de jornais internacionais, inclusive), você acredita que o Brasil está preparado para um evento desse porte?

Tenho certeza absoluta de que não entregaremos nada inferior às edições anteriores em termos de estrutura. Acompanho de perto a preparação para os Jogos Rio 2016, já que no âmbito do Comitê Organizador assumi a coordenação do Comitê de Integração Paralímpica. Existem desafios que não são resolvidos com os Jogos, pois devem fazer parte de uma política de estado. Por exemplo, tornar o Rio de Janeiro uma cidade 100% acessível não será possível, como não aconteceu em nenhuma outra sede dos Jogos até aqui. Nesse sentido, os Jogos têm que ser um catalisador, um agente de mudança, mas não um ponto final. Vejo um esforço e uma dedicação enormes de todas as áreas do Comitê Organizador Rio 2016 e dos três níveis de governo para realizar jogos de excelência técnica e que provoquem transformação.

 

Existem programas de incentivo para crianças e jovens que queiram se tornar paratletas? Caso tenha, poderia nos falar um pouco sobre os projetos?

Atualmente temos as Paralimpíadas Escolares, que são organizadas pelo Comitê Paralímpico Brasileiro desde 2006 e têm como objetivo fortalecer o esporte paralímpico desde sua base. Dessa forma, os melhores colocados de cada modalidade, gênero e classe ainda serão contemplados pelo Bolsa Atleta de nível escolar. As Paralimpíadas Escolares já foram a vitrine de grandes nomes do esporte paralímpico brasileiro, como Alan Fonteles, campeão paralímpico nos Jogos de Londres-2012 e recordista mundial nos 100m e nos 200m,; Lorena Spoladore, campeã mundial em Lyon e medalhista de prata em Doha no salto em distância; Leomon Moreno, medalhista de prata em Londres e campeão Mundial em Espoo (FIN), em 2014; e a nadadora Esthefanny Rodrigues, medalhista no Mundial de Glasgow-2015 e nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto-2015.

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