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Dia 18 de novembro de 2016 | Por Revista D+ | Sobre Oculto Edição 11
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Como os alunos ingressam no INES? Estão abertos os cursos de pós-graduação, mestrado profissional ou formação continuada? Quais são os níveis de formação profissional que o INES oferece?

Os alunos ingressam no INES através de exames seletivos ou entrevistas específicas, que os prepara essencialmente na área de Pedagogia (licenciatura). Aos sábados, o INES mantém o curso de pós-graduação intitulado Educação de Surdos em uma Perspectiva Bilingue em Construção. No período da tarde, de segunda a sexta, mantém os cursos de extensão: Classificadores em Libras; Compreensão e Produção Textual em Língua Portuguesa; Criação e Produção de Mídia (trabalha imagem, vídeo e publicação digital); Curso de Extensão de Língua Portuguesa (como segunda língua); Oficina Permanente de Teatro e American Sign Language (ASL), que é a língua de sinais norte-americana. O instituto planeja a abertura de cursos de mestrado, entre outros.

Todos os professores são fluentes em Libras? Há quantos professores surdos nos quadros do instituto?
O INES fica no bairro Laranjeiras, no Rio de Janeiro, e completará 160 anos em 2017

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As aulas do curso de pós-graduação são ministradas com intérpretes que se revezam em sala de aula. Já durante as aulas ministradas pelo CAP, o professor solicita um intérprete de acordo com a necessidade. Sendo assim, nem todos os professores são fluentes em Libras. Hoje o INES possui 56 intérpretes, sendo que 12 vagas continuam em aberto (não foram preenchidas através de concurso público). Ressalto que os professores são contratados mediante concurso público também: temos 19 professores surdos, sendo oito contratados.

Quais as funções dos intérpretes, além da tradução e interpretação em Libras?

Eles atuam em sala de aula, fazem seminários, entrevistas e estudam para poder incrementar a área da tradução e interpretação.

Os surdos e ouvintes estudam em uma mesma sala de aula? Há diferenças em seu desempenho?

Sim, estudam. No curso superior, os surdos e ouvintes são cobrados da mesma maneira. Por exemplo, uma monografia pode ser desenvolvida pelo aluno surdo em Libras e em Língua Portuguêsa pelo aluno ouvinte. Destaco que há casos exitosos em se tratando de desempenho, como surdos doutores que integram nosso quadro de funcionários, professores formados em nível superior e mestrado. O desempenho de modo geral não é visto como um problema, pois as estratégias pedagógicas adotadas estão alinhadas com as demandas específicas da parcela de surdos.

Há algum projeto preparatório para candidatos surdos que queiram ingressar nos cursos do INES?

Sim. Esses candidatos precisam seguir um edital para o vestibular, que inclui prova em Libras além das matérias específicas. Há aulas de reforço com foco no vestibular, que é igual para surdos e ouvintes.

O INES também atende surdos oralizados?

Sim. Atualmente contamos com 20 alunos oralizados, que se submeteram ao implante coclear. Nesse caso, esses alunos convivem com os demais alunos surdos e a comunicação ocorre em Libras.

Como o INES auxilia os surdos a se inserirem no mercado de trabalho?

Através da Divisão de Qualificação e Encaminhamento Profissional (Diepro) do instituto, que oferece cursos preparatórios, além de assessoria técnica às empresas que os contratarão. Esses cursos são disponibilizados para alunos do Colégio de Aplicação e para pessoas surdas da comunidade. A Diepro disponibiliza também vagas para estágios e/ou treinamentos, a partir de convênio com empresas, aos alunos do CAP/INES.
A Diepro também é conveniada com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e ao Serviço Nacional do Comércio (Senac). Então, por causa da parceria com várias outras empresas locais que empregam surdos, surgem, eventualmente, oportunidades profissionais nas áreas de serigrafia, costura, manicure, cabeleireiro, maquiagem, cozinheiro e cargos administrativos.

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O INES tem capacidade de absorver o profissional surdo em seus quadros? Em quais áreas?

O INES integra o profissional surdo através de concurso público ou terceirização, caso seja aberta essa possibilidade. As funções que são geralmente disponibilizadas são: professores, atores, jornalistas, apresentadores e funções administrativas, como manutenção predial, entre outras.

Qual é a participação do profissional surdo na área de mídia/comunicação do INES?

Os surdos e ouvintes são integrados pela TV INES, que é fruto de uma parceria com a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp). Trata-se da primeira Web TV em Libras, com legendas e locução, onde trabalham profissionais surdos com habilidade de televisão, ouvintes, tradutores, intérpretes e profissionais formados pelo INES.

Quais são as perspectivas do INES em longo prazo? Há projetos para criação de novos cursos destinados a outras áreas profissionais?

Certamente. Na área docente, planejamos incluir novos cursos de Ensino Superior, que estão em aprovação. Na área de comunicação, uma nova programação jornalística pela TV INES: um telejornal dedicado aos surdos, que terão condições de acompanhar o noticiário sem a necessidade de interpretação ou tradução, uma vez que o conteúdo será todo gerado em Libras. Planejamos também disponibilizar nosso curso presencial de pedagogia à distância em pontos estratégicos em todo o país, incluindo universidades e institutos federais.

Você acha que as empresas estão contratando mais surdos do que em outros períodos? Por quê?

A existência da Lei de Cotas fez com que as empresas mudassem para melhor o modo como observam as pessoas com deficiência, especialmente no tocante à inserção delas no mercado de trabalho. Nesse contexto, os surdos também passaram a ser mais valorizados. Mesmo assim, é preciso abolir vários paradigmas, como o que sugere que empregar um surdo, por exemplo, é mais barato e econômico para uma empresa. Isso sem contar as melhorias concretas em se tratando de acessibilidade e o respeito para com os surdos no ambiente de trabalho.

Qual é sua opinião a respeito do tratamento que a sociedade brasileira dispensa aos surdos?

Observo avanços nesse sentido. No entanto, ainda há muito a ser feito no que se refere às questões relacionadas à inclusão social das pessoas com deficiência, incluindo o tratamento dispensado aos surdos em nosso país. Noto que falta maior conscientização da sociedade sobre a importância de intérpretes de Libras em variados ramos de atuação que podem ser dirigidos aos surdos. D+

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