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Dia 18 de novembro de 2016 | Por Revista D+ | Sobre Oculto Edição 11
Reparo & amparo

Os Jogos Paralímpicos Rio2016 foram palco de muitos recordes. Um deles vem dos bastidores: a Oficina de Reparos da alemã Ottobock, responsável por consertar toda e qualquer avaria em próteses, órteses e cadeiras de rodas dos paratletas, executou um total de 2.346 pedidos de reparos, que resultaram em 3.361 reparos individuais.

No time de quase 100 pessoas de 31 países, falando 26 idiomas, havia sete técnicos brasileiros, incluindo duas mulheres. “A Ottobock respeita as questões culturais e religiosas dos atletas. Isso quer dizer que paratletas mulheres de determinados países só podem ser atendidas por profissionais do sexo feminino”, explica Thomas Pfleghar, diretor técnico da Ottobock à frente das operações no Rio. “Mulheres da Argélia, do Irã e Iraque foram atendidas por nossas técnicas brasileiras”, exemplifica.

O maior desafio da oficina foi a agilidade: sem o reparo a tempo, o paratleta ficaria de fora da competição. No entanto, a oficina não reparou só os equipamentos para os jogos; os de uso diário também foram consertados segundo a necessidade. A Revista D+ visitou a Oficina, dentro da Vila dos Atletas, um dia antes do encerramento da Paralimpíada e constatou uma série de próteses e órteses que foram substituídas.

A Ottobock mantém sua Oficina de Reparos nos Jogos Paralímpicos desde 1988, quando começou em Seul, na Coreia do Sul

A Ottobock mantém sua Oficina de Reparos nos Jogos Paralímpicos desde 1988, quando começou em Seul, na Coreia do Sul

“É normal que países de recursos menores, cujas pessoas usam o equipamento por um tempo muito longo, apresentem próteses e órteses em situação crítica. Alguns são recuperáveis, mas em outros casos, realmente fazemos novos, do zero”, explica Thomas.

Os serviços, que são gratuitos, contam ainda com o fator surpresa: a oficina teve de projetar, às pressas, um suporte que ficasse preso ao corpo do paratleta que tinha apenas uma mão. Só assim ele pôde carregar a bandeira de seu país na abertura dos jogos.

“Nós prestamos esse tipo de serviço desde os Jogos de Seul, em 1988. As características são as mesmas: as oficinas são montadas em espaços relativamente pequenos, são otimizadas e prezam pelo dinamismo e pela eficiência”, contou o diretor de marketing Ricardo Souza em nossa visita.

Segundo o executivo, é essencial tratar o esporte como fator de reabilitação. Para isso, a tecnologia é uma grande aliada: “Quando o público assiste à Paralimpíada, passa a olhar para a pessoa com deficiência de forma positiva. É só mais uma característica, e não um defeito. A tecnologia abre novas possibilidades de inclusão”, afirma.

Para Thomas Pfleghar, que comandou as operações técnicas da oficina pela terceira vez em Paralimpíada, a experiência é sempre muito boa. “O convívio com a diversidade humana nos faz aprender muito. Nosso papel é entender as necessidades e os desejos do outro e ajudá-lo. O valor humano nisso tudo é o que mais impressiona”, finaliza. Que venha Tóquio. D+

 

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