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Dia 18 de novembro de 2016 | Por Revista D+ | Sobre Oculto Edição 11
Inclusão exige transformação

A Lei de Cotas prevê que as empresas com 100 ou mais empregados são obrigadas a preencher de 2% a 5% dos seus cargos com reabilitados ou pessoas com deficiência. Romeu Kazumi Sassaki, 78 anos, presidente reeleito da Associação Nacional do Emprego Apoiado (Anea) até 2018 e referência maior na inclusão laboral da pessoa com deficiência – faz isso há 56 anos – chama atenção para a Lei.

 

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Fonte: Pesquisa Profissionais de Recursos Humanos: expectativas e percepções sobre a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, da iSocial/Catho com apoio da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Brasil). A pesquisa engloba a opinião de 1.459 profissionais de RH das empresas instaladas no Brasil

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* Fonte: Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2010 ** Fonte: Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), de 2014

Segundo Sassaki, autor do livro Inclusão: Construindo uma Sociedade para Todos, a Lei de Cotas pode até contribuir para a inclusão, mas a inclusão não depende do cumprimento da Lei. “No Brasil, essa Lei foi idealizada e implantada em 1960, no início da prática do paradigma da integração, que durou até o final da década de 1980, a fim de forçar as empresas a contratar pessoas com deficiência reabilitadas pela Previdência Social.

A integração seguia o Modelo Médico da Deficiência, no qual o ‘problema’ era a deficiência da própria pessoa”, explica ele. “Já a inclusão, que começou na década de 1990, segue o Modelo Social da Deficiência, no qual o ‘problema’ está nas barreiras existentes na sociedade”.

thaine-oliveiraThainá Oliveira é daquelas garotas com quem você sabe que vai render conversa. Aos 19 anos, é surda oralizada, mas se sente mais confortável falando em Libras.

Ela é analista de Educação na TOTVS, responsável por administrar materiais dos cursos dados aos clientes que adquirem os softwares da companhia.

Este é o primeiro emprego de Thainá, que foi contratada, coincidentemente, no último Dia Nacional do Surdo. Conversamos com ela em sua primeira semana na TOTVS. “Não tenho medo de viver situações de preconceito aqui. Posso mostrar que eu sou capaz de fazer as coisas e que somos iguais como seres humanos.

Quero aprender, conhecer, crescer e me desenvolver mais no futuro: sou surda, capaz e focada no trabalho”, sentencia.

Seu gestor direto, o head de Educação Empresarial Maurício Schorsch, 34 anos, acredita que o surdo pode exercer qualquer atividade na qual tenha competência. “O desafio está em alocar as pessoas de acordo com suas aptidões – desenvolvidas ou a desenvolver”, afirma ele.

A TOTVS possui um programa de contratação de pessoas com deficiência e, dentro do último grupo contratado, no mapeamento das competências, a Thainá foi identificada com potencial para a área de Educação. Ela tem ensino superior incompleto em Pedagogia.

“O desempenho dela nesta primeira semana tem sido sensacional, pois além de agilidade no aprendizado das atividades, ela realiza a revisão e diagramação das apostilas em velocidade superior à executada por alguns ouvintes na área”, elogia Maurício. “Além disso, é importante destacar que ela tem ensinado Libras para muita gente”.

 Rita Pellegrino, diretora de RH da TOTVS: “Aqui a inclusão é um processo de aprendizado e evolução que foi se solidificando com o passar do tempo”

Rita Pellegrino, diretora de RH da TOTVS: “Aqui a inclusão é um processo de aprendizado e evolução que foi se solidificando com o passar do tempo”

A diretora de RH da empresa, Rita Pellegrino, 39 anos, psicóloga, conta que a cultura de inclusão está no DNA da TOTVS e foi amadurecendo de acordo com a convivência com esses profissionais e com os benefícios percebidos para o ambiente de trabalho.

A partir deste ano, a companhia ampliou a forma de contratação do programa de diversidade e inclusão em parceria com o IOS, uma entidade que se dedica à capacitação e inserção de pessoas com deficiência e jovens carentes no mercado de trabalho há 18 anos. “Além das entrevistas, os processos seletivos passaram a contar com workshops e acompanhamento pós-contratação.

Temos previstas mais de 400 horas de capacitação e acompanhamento pelo RH por dois anos. Já contratamos 85 profissionais nesse novo formato”, explica Rita.

Atualmente com 52 colaboradores surdos nos mais diversos departamentos – como Jurídico, educação empresarial e suporte e atendimento ao cliente, “uma área muito estratégica e vital para a TOTVS, que soma mais de 30 mil clientes” – a empresa promove frequentemente turmas de capacitação em Libras, abertas a qualquer um que deseja aprender e se comunicar melhor com os colegas surdos.

“Aqui a inclusão é um processo de aprendizado e evolução que foi se solidificando com o passar do tempo.

É algo natural no processo de mudança da cultura de qualquer companhia e hoje isso pode ser acelerado por causa da quantidade de informação e pesquisas que temos à disposição”, avalia a diretora.

“Assim como muitas empresas, também temos pontos de melhoria, e isso é importante para que busquemos evoluir sempre com o objetivo de garantir um ambiente de trabalho agradável e produtivo a todos, sem restrições”.
Thainá sabe bem o que quer: “Meu desejo para minha vida profissional é Pedagogia, porque amo ensinar crianças e adultos”.

Para ela, as pessoas pensam que a Libras é mímica: “Elas deveriam conhecer a cultura surda e como nós, surdos, queremos trabalhar junto dos ouvintes, para compartilhar ideias”. E finaliza, resoluta: “Como Jean Piaget disse, ‘O principal objetivo da educação é criar pessoas capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir o que as outras gerações fizeram’”.

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