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Dia 19 de dezembro de 2016 | Por Revista D+ | Sobre Edição 12

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Dentre as diversas questões, conceitos e saberes que permeiam a profissão do Tils, tem-se a difícil tarefa de fazer as melhores escolhas para que se tenha a melhor clareza possível entre as línguas que estão sendo interpretadas ou traduzidas.

Como já dito na edição anterior da Revista D+, o profissional tradutor/intérprete precisa contabilizar o que se perde e o que se ganha ao “transmutar” o texto e administrar esse processo exige decisões, muitas vezes, incontornáveis. E nisso consiste, essencialmente, o mérito do tradutor/intérprete de língua de sinais.

Para compreendermos essa complexa tarefa, precisamos conhecer e refletir sobre diversos aspectos. Inicialmente, é importante sabermos a diferença entre a tradução e a interpretação: a primeira se ocupa com a escrita enquanto a segunda com a fala.

Nas línguas orais essa diferença está bem marcada e materializada, ou seja, temos os profissionais que fazem somente tradução e outros que executam somente a interpretação. A maioria dos teóricos e dos profissionais dessas áreas entende o uso dos termos tradutor e intérprete para definir duas atividades distintas com paradigmas iguais.

Elas se distinguem principalmente pelo seu contexto situacional, ou seja, o intérprete está presente na construção da interlocução; faz parte do “evento” no qual está interpretando; vê o participante, sua expressão, entonação; sabe quem são os interlocutores e qual a função de cada um ao falar. A modalidade oral possui características específicas para a construção do texto.

Já o tradutor, além de obedecer às normas da língua escrita, precisa identificar no texto uma realidade que não é dada a priori, ou seja, na época em que o texto foi escrito; o autor, suas intensões; o público original; dentre outros elementos próprios da modalidade escrita de uma determinada língua.

Contudo, na língua de sinais, o mesmo profissional executa as duas tarefas e isso provavelmente ocorra devido ao fato de ainda não se ter uma escrita socialmente constituída das línguas de sinais.

Então, a maioria dos Tils não trabalha com a modalidade escrita da língua de sinais. Sendo assim, a maior parte do tempo está interpretando a fala do interlocutor. A tarefa de tradução geralmente aparece nos contextos escolares, onde esse profissional traduz textos escritos para a língua de sinais.

Por isso, na área da tradução/interpretação de línguas de sinais, não conseguimos demarcar uma diferença, assim como nas línguas orais, entre essas duas modalidades, porque na maioria das interlocuções, seja com textos escritos, seja com orais, estará em jogo a expressão “sinalizada” da língua de sinais.

Assim, precisamos pensar até que ponto os profissionais que trabalham com a “conversão” de uma mensagem de um idioma escrito para outro “sinalizado” se identificam num ato tradutório.
Voltaremos ao tema nas próximas edições da Revista D+ D+

Silvana Zajac

Professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (LAEL/PUCSP), mestra em Educação (Unimep) e bacharelada em Letras/Libras (UFSC/Unicamp)
 *Para participar com perguntas e sugestões, escreva para silzajac@revistadmais.com.br

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