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Dia 19 de dezembro de 2016 | Por Revista D+ | Sobre Edição 12

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Pesquisa inédita no Rio de Janeiro mapeia comunidades carentes em busca da pessoa com deficiência. Com exclusividade, a Revista D+ subiu os morros cariocas para entender esta precária realidade

texto Taís Lambert   fotos e arte Manoel Araújo, do Rio de Janeiro

Fábio Felix de Santos: preconceito e desemprego

Fábio Felix de Santos: preconceito e desemprego

Olha, moça, eu moro ao lado da comunidade do Turano e ninguém dormiu, foi tiroteio a noite inteira. O pessoal do Complexo do São Carlos invadiu o morro. Estão falando de uns 30 e poucos mortos. Favela pacificada coisa nenhuma”. Foi assim que o motorista do Uber respondeu à minha pergunta sobre como andava o clima ali na cidade do Rio de Janeiro, lançando-me um olhar pesaroso pelo retrovisor.

Mês e meio depois, agora há pouco, no dia 19 de novembro, quatro policiais morreram na queda de um helicóptero da Polícia Militar durante operação para encontrar traficantes na Cidade de Deus, na Zona Oeste da capital. Até o fechamento desta edição, não se podia afirmar se a aeronave havia sofrido alguma pane ou se havia sido abatida, tal como já ocorreu há alguns anos no Morro dos Macacos, na Zona Norte.

É verdade que as notícias estão sujeitas a ganhar contornos mais sanguinários do que realmente têm. Mas é certo também que, embora as palavras se antagonizem profundamente, beleza e violência traduzem essa linda cidade. Diante do rebuliço do tráfico, de suas facções e da corrupção que alinhava a cena política, há uma parcela da população entregue ao nada: as pessoas com deficiência moradoras das comunidades cariocas.

O negócio social da agência de publicidade NBS, a NBS Rio+Rio, e o Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (CIEDS), em parceria com o Instituto Pereira Passos (IPP), lançaram-se em pesquisa inédita no território: mapear e compreender, através de dados, quem são e como se inserem na sociedade e no mercado de trabalho os moradores com deficiência das comunidades de baixa renda.

Edmílson, professor de futebol, em frente ao campinho em que dá aulas há 33 anos, no Complexo São Carlos

Edmílson, professor de futebol, em frente ao campinho em que dá aulas há 33 anos, no Complexo São Carlos

“O projeto nasceu aqui na NBS por um motivo específico: sempre tivemos muita dificuldade para encontrar e contratar pessoas com deficiência para trabalhar na agência e, assim, respeitar a Lei de Cotas. Então, pensamos em contratar pessoas com deficiência para rodarem as comunidades e procurarem saber onde e como estavam os moradores com deficiência. Além de serem contratados, fariam um trabalho importante, cujo resultado seria usado no futuro em benefício das próprias comunidades”, explica Camilo Coelho, coordenador da NBS Rio+Rio. “Não encontramos nada sobre pessoas com deficiência nos morros, essa foi mais uma razão para continuar com o projeto. Surgiu assim, de uma necessidade que virou oportunidade”, completa.

A pesquisa foi desenvolvida nas seguintes comunidade pacificadas ou em processo de pacificação: Complexo São Carlos, Providência, Borel, Casa Branca, Santa Marta, Salgueiro, Turano, Batan, Vila Kennedy e Chácara do Céu. “Tínhamos inquietações e interesse de nos aprofundar em como a cidade está organizada para as pessoas e o que era preciso fazer em termos de inclusão das pessoas com deficiência. A NBS tem inserção no Morro Santa Marta e nós, do CIEDS, temos inserção em várias outras comunidades. Então unimos essas experiências para ajudar”, conta Aldeli Carmo, gerente de inclusão, saúde e bem-estar do CIEDS.

Por ser realizado por pessoas com deficiência e em prol de mapear também pessoas com deficiência, o projeto recebeu o nome Mapa de Nós.

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