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Dia 8 de março de 2017 | Por Revista D+ | Sobre Oculto Edições

CONHECIMENTO E INTEGRAÇÃO 

Patrícia A. B. Soares, psicóloga, Michelle B. Marcello, coordenadora do programa de inclusão e a fonoaudióloga Mariane S. de Lima

Patrícia A. B. Soares, psicóloga, Michelle B. Marcello, coordenadora do programa de inclusão e a fonoaudióloga Mariane S. de Lima

Atenta ao desenvolvimento e à retenção dos profissionais com deficiência, a Caterpillar disponibiliza, por exemplo, desde 2014, o Curso de Libras para líderes e funcionários que têm contato direto com os colaboradores surdos, o que, além de facilitar a comunicação, integra todos no ambiente de trabalho. Também criou em 2015 a Oficina da Comunicação, que atua no desenvolvimento da comunicação de quem é surdo ou tem perda auditiva.

Funcionária no setor operacional de logística, Aline Maria Pizzoquero, 30, está há três anos na empresa. Surda de nascença, cresceu em uma família de ouvintes. “Desde pequena eu aprendi a fazer leitura labial e aprendi Libras na Associação de Pais e Amigos de Surdos de Piracicaba (APASPI). Terminei o Ensino Médio em escola regular sem intérprete de Libras. Foi difícil acompanhar, mas os colegas me ajudaram”.

Augusto César de Paula, gestor de logística

Augusto César de Paula, gestor de logística

Aline conta que gosta da área em que atua e não pensa em mudar. “Já estou acostumada com esse setor. Tenho um pouco de receio, sei que a empresa oferece muitas oportunidades, até mesmo para ganhar mais se mudar de área, mas eu gosto daqui!”, afirma.

Ela aponta também a boa relação com seus colegas de trabalho. “Aqui tem muitas pessoas legais, tem interação. Elas pedem para eu ensinar Libras, eu ajudo, às vezes não entendem e eu chamo alguém para explicar. Também foi muito bom o meu gestor ter aprendido Libras: se ele esquece alguma palavra, eu ensino de novo”.

Aline comenta sobre como foi importante a empresa disponibilizar um uniforme que sinaliza que ela é surda. “O uniforme sinalizado ajuda a pessoa que vem conversar comigo a já perceber minha condição. No trabalho da embalagem também tem a empilhadeira, agora os operadores veem o uniforme e tomam mais cuidado para chegar perto. É muito importante em todos os setores da fábrica”, conclui.

Caio Orlandini é supervisor do RH

Caio Orlandini é supervisor do RH

A fonoaudióloga Mariane Soares de Lima, 32, integrante do grupo de serviço social da empresa, que atende todos

os funcionários para diferentes demandas, afirma que a pessoa surda tinha muita dificuldade em participar dos processos internos para mudanças de cargo.

“Quando eu entrei aqui a grande dificuldade era na comunicação, então começamos a fazer atividades com os funcionários surdos, para que fosse desenvolvido o que eles já tinham de bom, como o português. Além de incentivar a empresa a colocar legendas nos vídeos institucionais para que eles praticassem a leitura e também a comunicação entre o gestor e a equipe”, conta Mariane.

A conclusão da primeira Oficina de Comunicação I foi um meio de aprimorar a escrita do surdo e esclarecer aos demais funcionários sobre as diferenças na forma do português escrito por grande parte dos surdos. “A capacitação do surdo e da equipe foi importante para mostrar que a Libras tem uma gramática própria e que o surdo não está escrevendo errado, mas sim na gramática dele”, esclareceu a fonoaudióloga.

A coordenadora Michelle Bellini Marcello é enfática: “A empresa reconheceu que seus funcionários surdos não participavam dos processos porque ela mesma não os havia preparado para tal. Por isso foi criada a Oficina da Comunicação: para que eles tenham condições de igualdade diante das oportunidades”.

pillarDIREITO DE TODOS

Caio Orlandini, 29, é o supervisor de Recursos Humanos. “O que nós pensamos para uma eventual seleção é que a pessoa tem que ser adequada ao cargo, se ela tiver condições, não importa a deficiência”, pontuou. A Carterpillar ainda faz um processo anual de discussão de carreira, através do qual funcionários com e sem deficiência podem concorrer a melhores colocações dentro da empresa, se for de sua vontade.

Caio conta que há o setor de serviço social para auxiliar nas necessidades dos funcionários com deficiência. “Nós temos o departamento como uma consultoria com especialistas, onde os funcionários podem conversar diretamente e falar sobre suas necessidades e seus desconfortos. Mas não fazemos distinção: o que buscamos é que cada gestor resolva as questões, pois é função do líder atender seu funcionário independentemente de ter deficiência”.

Psicóloga na área de Serviço Social, Patrícia Aline Bragança Soares, 29, desenvolve projetos para as melhorias estruturais, arquitetônicas e de mobiliário da empresa. “Nós também fazemos pesquisas anuais de monitoramento com todos os funcionários. Com base nisso traçamos as metas para serem alcançadas”, afirma Patrícia, que foi contratada para o desenvolvimento do projeto JUNTOS: Ser Diferente é Somar.

Michelle aponta que a empresa tem um longo caminho pela frente para se desenvolver no âmbito da inclusão de funcionários com deficiência. “Ficamos surpresos em ganhar o prêmio, mas, mais importante que vencer é o impacto que isso traz para todo o sistema organizacional”, afirma a coordenadora, que ainda ressalta: “Para a equipe, além de reconhecer esse prestígio, o importante é sustentar o projeto. Em 2017, nosso foco é manter o cronograma do Selo de Diversidade Paulista [certificado instituído pelo Governo do Estado de São Paulo], com o objetivo de destacar boas práticas empresariais como ação estratégica pela igualdade e cidadania. Vamos continuar na caminhada”. D+

Candidate-se
www.caterpillar.com/pt/careers.html

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