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Dia 21 de maio de 2017 | Por Revista D+ | Sobre Oculto Edições
A Cão-guia Robô possui sensores capazes de identificar objetos frontais e aéreos, além de dificuldades no trajeto. A haste, que está recolhida, é regulável

A Cão-guia Robô possui sensores capazes de identificar objetos frontais e aéreos, além de dificuldades no trajeto. A haste, que está recolhida, é regulável

Quais são as funcionalidades de Lysa? Você pretende expandi-las?

A Lysa fica no chão, à frente da pessoa com deficiência visual. Por meio dos sensores consegue identificar um objeto frontal, aéreo e dificuldades durante o trajeto, avisando o usuário por comando de voz sobre o obstáculo e automaticamente procurando um caminho mais fácil para seguir. Sim, pensamos e já estamos trabalhando em uma expansão das funcionalidades com a inserção do GPS para que seja possível a criação de uma rota. Outra atualização que também queremos realizar é a inteligência artificial para que não apenas os obstáculos do trajeto sejam identificados como também tenha a explicação detalhada dos objetos.

E as características?

O robô tem 33 centímetros de comprimento, 26 de largura, 15 de altura e pesa dois quilos e 700 gramas. O sistema tem um funcionamento diário de oito horas e uma vida útil de um ano e meio a dois. No formato comercial, ao contrário da primeira versão do projeto, que foi criada com impressora 3D, será feito de fibra, o que o torna mais leve e resistente. Um sistema de sensoriamento periférico auxilia na locomoção, ele possui motores responsáveis pela movimentação, algoritmos que detectam e informam os obstáculos e uma alça dupla similar a uma rédea de um cão-guia tradicional. O projeto também conta com botões de ligar/desligar e de controle de velocidade.

O projeto do cão-guia robô foi inspirado em um modelo japonês. Quais são as diferenças dessa versão para a brasileira?

As diferenças estão no tamanho. Enquanto a brasileira não passa de dois quilos e 700 gramas e tem 15 centímetros de altura, a japonesa tem em média 15 quilos e 50 centímetros de altura. Ou seja, o formato é diferente, mas as funcionalidades são as mesmas. Acredito que o modelo brasileiro também seja mais em conta do que o japonês.

Quais as principais dificuldades encontradas no processo de criação da Lysa?

A principal dificuldade foi a captação de recursos. Os investidores normalmente pensam apenas em números e, além de acharem o mercado da pessoa com deficiência visual pequeno, acreditam que o perfil do cego é alguém de baixa renda e que depende de INSS. Então, como comprariam um robô? Outras dificuldades foram as calçadas e o clima. Cada região tem a sua particularidade e estamos trabalhando para que não seja necessário realizar diferentes modelos do projeto por causa das zonas climáticas, mas que apenas um seja resistente às mudanças de clima.

João, com deficiência visual, testa a robô-guia em sua primeira versão

João, com deficiência visual, testa a robô-guia em sua primeira versão

Quais são as vantagens do robô-guia em relação aos demais formatos de auxílio para os cegos?

As vantagens em relação à bengala, é que o robô identifica os objetos aéreos e guia a pessoa. Não é necessário tatear a todo instante para se proteger porque o sistema realiza essa função. Enquanto que comparado com um cão-guia tradicional, o projeto tem mais benefícios no custo. Um cão tradicional custa em média R$ 50 mil e o treinamento é demorado, de dois a quatro anos. Outra questão não tão vantajosa dos cães-guias tradicionais é o espaço. Muitas pessoas vivem em pequenos ambientes e um cão tradicional tem um porte grande. A higiene também é uma vantagem, pois nos cães tradicionais é o próprio cego que tem cuidados de limpeza com o animal. É certo que o cão-guia robô nunca substituirá o carinho entre cachorro e dono, mas oferece certas facilidades que proporcionam melhor qualidade de vida.

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