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Dia 21 de maio de 2017 | Por Revista D+ | Sobre Oculto Edições

IDENTIFICANDO CASOS DE VIOLÊNCIA 

Mudanças bruscas no comportamento, isolamento, medo, entristecimento, baixa autoestima, recusa a ir a um determinado local associado ao ato violento, surgimento de comportamentos sexualizados (no caso do abuso sexual). Marcas no corpo, como hematomas, sobretudo se a fala da pessoa for dificultada

Fonte: Dra. Lúcia Williams, do Laprev (UFSCar)

Moacir Batista de Albuquerque, 52 anos, é investigador chefe na delegacia e está há 25 anos na polícia civil. Formado em Direito, Teologia e Ciência Política, é também professor de Direitos Humanos na Associação de Funcionários da Polícia Civil do Estado de São Paulo, no curso preparatório de formação para as carreiras policiais. A qualificação, naturalmente, o levou para a 1ª Delegacia de Polícia da Pessoa com Deficiência.

“Quando saímos para uma visita, porque recebemos uma denúncia anônima pelo Disque 100, por exemplo, tentamos uma abordagem mais social para quebrar o gelo. Precisamos entrar na casa, avistar a pessoa, buscar sinais de violência, ver se a pessoa pode falar conosco ou se está sendo privada da liberdade”, detalha o chefe dos investigadores.

O que acontece, muitas vezes, é que a pessoa com deficiência é “escondida” ou coagida. Nesses casos, a polícia intima a pessoa a comparecer na delegacia e, no atendimento privado, sem a presença do agressor, ela pode falar a verdade. “Sempre procuramos ver se o ambiente está sujo, se é insalubre, se a pessoa com deficiência está com alimentação adequada ou recebendo água. Pois, às vezes, nem água elas recebem”.

Clara Akie Yoshino, 27 anos, é a socióloga responsável pelas estatísticas dos boletins de ocorrência envolvendo pessoas com deficiência em todo o estado de São Paulo. Até maio de 2014, esse tipo de apuração não era realizado pela Secretaria de Segurança Pública no Registro Digital de Ocorrência (RDO), o que tornava impossível saber qual era a dimensão da violência contra a pessoa com deficiência. “A maior procura aqui na delegacia é de pessoas surdas. Não simplesmente por causa da violência, mas porque sabem que encontrarão intérpretes de Libras e serão orientados em suas variadas necessidades”, conta Clara.

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