Referência em inclusão e acessibilidade!
ACESSO GRÁTIS| Leitor de Tela
Dia 15 de maio de 2017 | Por Revista D+ | Sobre Oculto Edições
Helton segura uma de suas frutas preferidas, a bacuri-pari, da Amazônia. Sua esposa, Emilene, o conheceu em um Congresso das Testemunhas de Jeová. Atrás, um lindo pé de figo-da-Índia

Helton segura uma de suas frutas preferidas, a bacuri-pari, da Amazônia. Sua esposa, Emilene, o conheceu em um Congresso das Testemunhas de Jeová. Atrás, um lindo pé de figo-da-Índia

Sigo com eles debaixo de um sol intenso, apontando, perguntando. “Os araticuns dão frutas grandes, o marolo é o maior deles. O mamei é bem grande também. O zilo ou ucuva, que é uma fruta africana, é bem exótica, já colhi uma de 24 kg aqui. Nativo do Brasil, o cruá ou melão caboclo, é um fruto enorme, de uns 40 cm, mas ele não dá em árvore, é no cipó, igual abóbora. Esse é o tucum, que dá em palmeira, difícil de achar. Já esse figo da Índia tem polpa branca e o outro, roxa. A gumi, ou alegria dos pássaros, é do Japão. A jabuticaba de cipó dá um cachinho em ramo, não no tronco. O nome correto é ibatirama. Também tem a manga banana, da Índia, que você descasca como banana, e esse aqui é o mixiú, fruta bem rara, nativa da região, que só se come verde, cozido como legume”.

Dá até uma tontura, tamanha novidade. Helton se encaminha maroto para uma árvore repleta do que pareciam cerejas, pronto para me surpreender novamente, e diz: “Essa é a esfregadinha ou cereja de Cametá, que é o nome de uma cidade do Pará. Tem que esfregar para poder comer”. Levanto uma sobrancelha como quem não entende nada. “Se você comer sem esfregar ela fica amarga, marrenta igual a caqui verde. A maioria das pessoas não sabe disso”. Tal como ele ensinou, foi só esfregar que a frutinha ficou doce, tenra e saborosa.

Emilene emendou outra: “A fruta-do-milagre também parece um segredo da natureza. É pequenininha, africana, que deixa tudo doce. Qualquer coisa que você comer depois de chupar a fruta-do-milagre terá um sabor doce, até limonada sem açúcar!”.

A esfregadinha, ou cereja de Cametá, amarra na boca como caqui verde se você não esfregá-la antes de comer

A esfregadinha, ou cereja de Cametá, amarra na boca como caqui verde se você não esfregá-la antes de comer

ZiloEm meio a pouco mais de 1.400 frutíferas, qual é a preferida de Helton? “É difícil! Pois cada uma tem suas características especiais, mas uma das que eu mais gosto é essa aqui, a bacuri-pari, da Amazônia”.

Com todo o trabalho e a dedicação de anos a fio, Helton recuperou dois lagos dentro da propriedade. “Aqui tinham poucas árvores, era tudo pasto e foi recuperado. Com essa floresta e o manejo, acabou brotando água pura de novo. Esse lago, por exemplo, ficou muito tempo sem verter água. Agora ela é pura, pronta para tomar”, conta, abaixando-se para beber água direto do pequeno córrego cintilante, que cortava o solo em meio a folhas de todos os tons e tamanhos.

Preservação, legado e fé

Tucum é uma palmeira cujas frutinhas doces, de casca fibrosa, possuem grande quantidade de antioxidante. É nativa da região

Tucum é uma palmeira cujas frutinhas doces, de casca fibrosa, possuem grande quantidade de antioxidante. É nativa da região

Como Helton diz, ele descobriu esse mundo das plantas e se encantou.

Sumário

Anterior     1     2

Posts Relacionados

Acesse a Revista D+