Referência em inclusão e acessibilidade!
ACESSO GRÁTIS | Leitor de Tela
06 Misto Quente
Dia 9 de janeiro de 2018 | Por Revista D+ | Sobre Edição 17
Banner intérprete (2)
IMG_4546  IMG_4519  IMG_4532

Uma ideia faz diferença, e quando o foco é proporcio­ nar autoestima e confiança às pessoas ganha ainda mais valor. Wellington Luiz de Oliveira, auxiliar de produção de órteses e próteses do Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), de Goiânia, pediu autorização para atender a uma solicitação de um paciente para per­sonalizar a prótese.  O resultado foi muito bom. Foi então que ele questionou: “Por que não oferecemos isso a todos os pacientes?”. Há cerca de três meses, todas as próteses produzidas no Crer são “tatuadas” a gosto do usuário, que pode  levar a malha que deseja para ser colocada  em sua prótese. O valor das novas adaptações não diferiu em nada de uma convencional e sai 100% custeada pelo SUS.

“Os pacientes aguardam sua prótese com grande an­siedade e expectativa, tanto aqueles que usarão pela pri­meira vez, quanto os que já são usuários há mais tempo. Isso porque o desejo de andar e se reabilitar reinserindo-se na sociedade é muito grande, mesmo para os que já usam fica a dúvida se a prótese vai ser igual ou melhor do que a que tinha antes”, contou Alysson Alvim Campos, 36 anos, gerente da oficina ortopédica.

Rayane Ritchely Sena, 26 anos, atleta do vôlei sentado da Associação dos Deficientes de Aparecida de Goiânia (Adap), que teve sua perna direita amputada em um aci­ dente, usa próteses  pela primeira vez. A esportista  conta que a personalização  agregou muito em sua autoestima  e no seu visual, pois há quatro anos não usava vestido,  saia ou shorts porque sentia vergonha. “O olhar das pessoas mudou muito, não vejo mais aquele olhar de “coitadinha”. A minha primeira estampa foi do Goiás Esporte Clube, meu time do coração. A segunda e atual é a da caveira mexica­na, e já estou pensando  no próximo desenho!”. Endereço: Av. Vereador José Monteiro,  1655,  Setor Negrão de Lima, Goiânia, CO. (62) 3232-3000.


1, 2, 3… GRAVANDO!

Informação, diversão e espontaneidade, essas são algumas das principais características do canal do Danny no Youtube, que tem 23 anos e é morador de Campinas São Paulo. Ele, que tem síndrome de Down, encontrou na plataforma digital um meio de expor ideias. “Fui viajar para Guaxupé com meu chefe na época, que também é meu xará, Daniel Pauli, e conversamos sobre uma maneira de aproveitar meu jeito com a câmera para fazer alguma comunicação inclusiva e contra diversas formas de preconceito. Isso foi em fevereiro deste ano e em março já lançamos o canal”, conta.

A parceria com o chefe foi o pontapé para que o projeto saísse do campo das ideias. Prontamente saiu vinheta e logo as primeiras filmagens – realizadas pelo próprio chefe – na Finco, a agência de agrocomunicação onde fez estágio. Agora Danny enriqueceu bastante seus vídeos: “Faço gravações externas com outros Downs, e aí minha mãe virou camerawoman”. Ele também diz que toda a família acaba colaborando com a edição dos vídeos e com sugestões.

“Gosto de falar sobre as capacidades e as competências dos Downs. E sobre a liberdade deles, que é imprtante para a própria família perceber que nós não somos coitadinhos, nem doentes, nem criancinhas, nós somos nós: adolescentes, jovens ou adultos e queremos decidir por nós mesmos. Por exemplo, que roupa vestir, se deixamos crescer o cabelo ou não, que cinema iremos ir, baladas, barzinhos, etc”, pontua.

Nas horas que não está dedicado aos vídeos, Danny vai à academia, faz aulas de inglês e de teatro e ainda vai à Finco e ao Centro de Educação Especial Síndrome de Down (Ceesd), onde se prepara mais para o mercado de trabalho. “Quero um emprego, mas não vou deixar de ser youtuber. Eu fiz dois anos de faculdade de design, mas tranquei a matrícula por que eles não quiseram adaptar as provas e não quero mais voltar”.

Além de estar sempre antenado, Danny namora a Rafaela Faelli Martins desde que ele tinha 15 anos. “Nós nos conhecemos desde bebês, mas depois que ela mudou para a Escola do Sítio, onde eu já estudava eu conheci melhor o lado romântico dela e começou o namoro. Ela fez meu coração disparar! Já fiz um video com ela quando ela foi madrinha da bateria do Carnaval. Ela é craque no kung-fu, e também diz uma gravação sobre isso no Down News”. Para conhecer mais, procure canal Down News no Youtube.


APRENDER BRINCANDO

Robi é um robô, e ele tem uma função que ultrapassa o simples brincar. Além de oferecer a crianças um momento divertido, o papel do robozinho é auxiliar no desenvolvimento cognitivo de crianças com deficiência. Wilson Bueno, 52 anos, Analista de Sistemas, Especialista em Robótica e Neuropsicopedagogo, é o responsável pela criação do robô e explica que ele propicia experiência do concreto do aprendizado. Toda a utilização do Robi está baseada no lúdico e na brincadeira. “Brincar é de fato muito importante para o desenvolvimento de qualquer criança. Desta maneira, a criança desenvolve a programação do trajeto do robô com outras três concorrentemente. A participação coletiva é incentivada e pode-se alcançar melhores resultados desta forma”, relata Bueno.

Já foram vendidas 50 unidades a 37 clientes diferentes, entre eles estão escolas, consultórios médicos e a Apae de Santa Bárbara d’Oeste. “Mantemos contato com a Apae e o feedback tem sido muito positivo. Recentemente fizemos um estudo de casos envolvendo as terapeutas ocupacionais dessa entidade. O relato foi muito estimulante! Mostra que o Robi é efetivo para trabalhar com crianças e jovens com acometimentos mais severos também.”

Para saber mais sobre as funcionalidades do Robi e como adquirir entre no link: www.roblocks.com.br/


WEB PARA TODOS QUER ACABAR COM AS BARREIRAS DE NAVEGAÇÃO NOS SITES BRASILEIROS

A simples ação de navegar na internet pode ser bastante complicada para algumas pessoas. Isso porque há muitas barreiras de navegação que poderiam ser eliminadas, mas não são, por falta de informação. Com o objetivo de propor soluções para isso, surge o Web para Todos, movimento que une uma série de apoiadores que defendem uma internet inclusiva.

Segundo a pesquisa PNAD 2014, o percentual de pessoas com deficiência que usam com frequência a internet no Brasil é 57% – acima da média brasileira, que é de 54%. “Se um site é fácil de navegar por quem tem qualquer tipo de limitação, certamente é melhor ainda para quem não tem”, destaca Simone Freire, diretora geral da agência em setembro. A iniciativa conta desde o início com o apoio institucional do W3C Brasil e parceria do NIC.br por meio do Ceweb.br.

De acordo com o NIC.br, menos de 6% dos sites do governo tentam minimizar as barreiras de acesso para pessoas com deficiência. “Se estendermos para o universo das empresas, essa porcentagem certamente é ainda menor”, afirma Vagner Diniz, gerente geral do W3C Brasil e do Ceweb.br.

MOBILIZAÇÃO, EDUCAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO

O movimento conta com uma plataforma online, onde qualquer pessoa pode compartilhar suas experiências positivas e negativas de navegação nos sites. “A partir dessa ação, a equipe do Web para Todos faz a ponte com o site indicado e convida a organização a construir uma internet melhor”, diz Simone. Foi divulgada a primeira “análise das barreiras tecnológicas em sites brasileiros” com avaliação das páginas das 10 melhores da Universidades e Escolas de Ensino Médio do país, de acordo com o último ranking divulgado pelo MEC (2015). A análise foi feita por especialistas em acessibilidade e usabilidade, do Ceweb.br. “Percebemos que há uma movimentação no caminho da acessibilidade, mas ainda falta conhecimento técnico para a adequação da programação, do conteúdo e do layout”, explica Simone.

Os critérios foram elaborados pela equipe do Web para Todos em parceria com o Ceweb.br, levando em consideração as Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG2), desenvolvidas pelo W3C, em conjunto com o Google, a Microsoft, IBM e empresas especializadas em acessibilidade.

ORGANIZAÇÕES ENGAJADAS

Ao todo, 21 organizações já fazem parte do movimento e várias outras estão interessadas em contribuir. São elas: Espiral Interativa, W3C Brasil, Ceweb.br, CGI.br, NIC.br, Fundação Roberto Marinho, Trama Comunicação, Secretaria da Pessoa com Deficiência do Município de São Paulo, Vida Mais Livre, Fundação Dorina Nowill, Fundação Fenômenos, Instituto Mara Gabrilli, Grupo de Ensino e Pesquisa em Inovação da Escola de Direito da FGV SP, Instituto Rodrigo Mendes, Laramara, MATAV-U-nesp, Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB), ProDeaf, Revista D+, Santa Causa e Singolia.

Para mais informações, acesse o site: www.mwpt.com.br.


MODA INCLUSIVA

A moda tem um significado importante, ela nos possibilita fortalecer nossa identidade e personalidade. No entanto, também sabemos que pessoas com deficiência encontram no mercado têxtil desafios árduos na hora de se vestir. Pensando nisso, Mindy Scheier, designer estadunidense e mãe de uma criança com deficiência, fundou em 2014 a Fundação Runway of Dreams (RODF). A organização é sem fins lucrativos e oferece e apoia iniciativas para ampliar o alcance das roupas adaptadas e trazer à comunidade diferentes habilidades no setor da moda. Quem se aliou à Fundação foi a emblemática grife Tommy Hillfiger, com peças super estilosas.

Conheça mais no site: www.runwayofdreams.org.about

O VAI E VEM DAS CADEIRAS

Com o intuito de proporcionar mais conforto e autonomia para as pessoas com mobilidade reduzida, no Aeroporto Internacional de Tóquio já existe, ainda em teste, uma cadeira de rodas robô que circula sozinha, encontra o passageiro e o leva sem problemas ao seu destino. Ela é fabricada pelas empresas Panasonic e Whill Next.

DIVERSIDADE PARA BRINCAR

A marca australiana Leave It To Leslie, especializada em brinquedos de assistência à infância, inclusivos e multiculturais, lançou uma linha de bonecas e bonecos com características físicas de pessoas com síndrome de Down. É uma fofura!

As bonecas são comercializadas apenas pelo site. Confira! www.leaveittoleslie.com.au

 

Posts Relacionados

Acesse a Revista D+