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Dia 9 de novembro de 2017 | Por Revista D+ | Sobre Edição 17
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O aumento do número de idosos que utilizam tecnologias, como, celulares e computadores, cresceu nos últimos tempos graças aos jovens que estão a sua volta.

Whatsapp, Facebook, selfie e, claro, as recorrentes trocas de mensagens. Boa parte dos jovens está fadada a usar no seu dia a dia os muitos aplicativos que estão em alta. De acordo com a pesquisa 60+ na internet, do Instituto Locomotiva, o interesse dos idosos pelo mundo virtual cresceu em compasso de igualdade por ambos os sexos. Metade dos homens e das mulheres acessa a rede. O que varia é a idade: 51% têm entre 60 e 64 anos, 27% de 65 a 69 anos e 22% têm mais de 70 anos.

A região Sudeste concentra o maior percentual de idosos conectados: 60%. Em seguida está o Sul (18%), Nordeste (13%), Centro-Oeste (6%) e o Norte (3%). A maioria absoluta dos internautas com mais de 60 anos são mais classes A/B (76%), seguida pela classe C (23%) e classe D/E (1%). Esse público possui ensino superior (39%) ou médio (33%) e 28% cursaram até o ensino fundamental.

A tecnologia é de extrema importância na relação dos idosos com os mais jovens. As funções cognitivas (atenção, memória, percepção, etc) se desenvolvem a partir de estimulação e a tecnologia tem um incrível papel no desenvolvimento dessas habilidades. Para crianças e jovens, a tecnologia é excelente porque faz surgir novas conexões neurológicas, com o aumento da capacidade deles; para os idosos essa estimulação vai ao encontro da necessidade de prevenir degenerações decorrentes do envelhecimento. “As diferentes abordagens da tecnologia unem esses extremos, aproveitando a disponibilidade de tempo e a capacidade diferente de lidar com esses recursos. O interesse dos avós pelas atividades dos jovens permite acompanhá-los e preencher o vazio humanístico que ocorre com a Internet”, pontua Luíza Elena Leite Ribeiro do Valle, especialista em Psicologia Clínica e Neuropsicologia, autora dos livros A aprendizagem na educação, de crianças e adolescentes e Cérebro de Aprendizagem: um jeito diferente de viver (Wak Editora).

Proximidade pelo Smartphone

“Gosto muito de utilizar o WhatsApp. Estou sempre em contato com minhas amigas e alguns parentes mais próximos”, conta a paulistana Maria Joanna Antunes Oliveira Rodrigues, 82 anos, aposentada na Secretaria da Agricultura. Religiosa, Maria Joanna criou até um grupo no aplicativo de conversa mais popular do momento com colegas da igreja que frequenta. “Fizemos um grupo no WhatsApp para combinar os encontros, o que facilitou muito! Antes tínhamos que ficar ligando um para o outro, sempre dava confusão e desencontro de informações. Hoje é muito mais rápido”, comenta. A aposentava teve o primeiro contato com esse tipo de tecnologia em meados de 2016, quando comprou seu primeiro smartphone. “Antes tinha apenas um celular simples, daqueles que só fazem ligação e mais nada”. No início da “nova vida” com o celular de última geração, Maria Joanna passou por momentos difíceis, mas sempre recebeu ajuda de sua sobrinha, a jornalista Luiza Domingues, 30. “Sempre explico a importância de ela utilizar o aplicativo WhatsApp, por exemplo, para facilitar sua comunicação do dia a dia, tanto comigo quanto com a Tia Cleide, sua irmã”, diz Luiza.

A jornalista ajuda suas tias com bastante paciência e sem dificuldades. A comunicação entre elas ficou muito mais dinâmica do que antes da inclusão digital chegar à família. “Minha tia e eu nos falamos todos os dias, nem que seja para dar um bom dia ou uma boa noite. Ela fala muito com as amigas dela também. Senti que ela ficou muito mais divertida e sociável depois que começou a utilizar o aplicativo”, revela sobrinha.


CONEXÃO PÓS 60 – IDOSOS CONECTADO POR:

Região
1º. Sudeste = 60%
2º. Sul = 18%
3º. Nordesde = 13%
4º. Centro-Oeste = 6%
5º. Norte = 3%

Classe Social
Classes A e B = 76%
Classe C = 23%
Classes D e E = 1%

Escolaridade
Superior = 39%
Médio = 33%
Fundamental = 28%


Mais perto dos netinhos

Vera Lúcia Galgoul, 69, é dentista e mora no Rio de Janeiro com seu maridi Ricardo Galgoul, 70. Para matar a saudade dos netos Yeshua Rebello, 10, e Chaya Gabor, 7, que moram em São Paulo, o casal não larga o celular, pois sempre conversa com os pequenos por WhatsApp. “Amo receber fotos deles e acompanhá-los nos campeonatos de braking dance [dança rítmica de hip-hop], curso que eles praticam”. Vera utiliza o celular a todo momento; já o marido prefere o computador.

joao e juliane

João dos Ramos Teixeira, 80, e a neta Juliane Teixeira, 27: parceria e aprendizagem.

Vera tem esclerose múltipla, doença que causa muitos sintomas diferentes, entre eles perda da visão, dor, fadiga e comprometimento da coordenação motora. “A tecnologia me trouxe o benefício de poder me relacionar com os meus netos, minha filha e com todos sem fazer grandes esforços e sacrifícios na minha saúde”, relata. Segundo Vera, ela e o marido passam por algumas dificuldades para tentar compreender a nova tecnologia. “Tudo é muito moderno e às vezes preciso de ajuda. A tecnologia é boa por um lado, o de agilizar as informações e diminuir distâncias, e por outro lado, maléfica, porque as pessoas ficaram muito presentes no mundo virtual e ausentes da realidade. É bom a nova geração conviver com a vida real e a cores”, critica Vera.

Sobre o que pretendem ensinar de novidade para os avós, os netos foram unânimes: “A postarem fotos no perfil do Facebook”. A dentista relata que a ajuda dos netos, mesmo que à distância, é fundamental. “Parece que já nasceram sabendo o que é Facebook, WhatsApp, selfie, transmissão ao vivo, entre outras coisas que nem imagino, pois não entendo nadinha!”, comenta, aos risos. “Acho que estou satisfeita com o que já sei. Mas a minha filha fala que o Skype seria outra forma boa de se comunicar. Quem sabe?”. Com os netos para guiá-los no mundo da tecnologia, não há limites de aprendizado para Vera Lúcia e Ricardo.

“Meu avô sempre fica surpreso com os avanços e a facilidade de encontrar as informações e conteúdos” Juliane Teixeira, sobre o avô de 80 anos.

lauderisa e stephanie

Stéphanie Lima com a avó Lauderisa Santos, 65, que diz: “Quero continuar aprendendo sobre alimentação saudável. Na internet tem muitas informações legais!”

“Tive meu primeiro smartphone em 2010, e então, eu comecei a mexer no WhatsApp. Naquele tempo eu trabalhava numa metalúrgica, e além dos meus netos verdadeiros, os colegas da empresa – que me chamavam de vó, pois eu era a mais velha – me ajudavam bastante também”, relata Lauderisa Santos Souza Lima, 65, dona de casa. A nova descoberta de Lauderisa foi aprender a ver vídeos no Youtube. “Quero continuar aprendendo sobre alimentação saudável. Na internet tem muitas informações legais, úteis e interessantes!”. A assessora de mídias sociais Stéphanie Lima Oliveira, neta de Lauderisa, afirma que ajudar a avó nas questões tecnológicas é bom para desenvolver uma relação mais próxima com ela. “É preciso ter muita paciência e disposição. Apesar de ela aprender rápido, preciso repetir e mostrar como faz várias vezes para que ela fixe o processo”. E, claro, a inclusão digital facilita muito mais para matar a saudade. “Moramos em bairros diferentes e na correria do dia a dia, não conseguimos nos ver sempre. Então o WhatsApp, por exemplo, colabora demais para reforçar a relação. Claro que o presencial também é fundamental, mas sem a internet seria bem mais complicado”.

Viagem no tempo

João dos Ramos Teixeira, 80, é português e trabalha como motorista particular no bairro da Penha, em São Paulo (SP). O que mais procura nos computadores e no smartphone que possuí são músicas antigas. “Minha neta é maluquinha e sempre me ajuda quando quero pesquisar músicas do meu tempo.” No computador, João adora ler notícias de Portugal, principalmente da Ilha da Madeira, onde nasceu. “Vejo coisas relacionadas a futebol e às vezes minha neta me mostra alguma foto ou vídeo engraçado, ou vejo DVDs de artistas portugueses”, diz o motorista.

“Gosto muito de utilizar o WhatsApp. Estou sempre em contato com minhas amigas e alguns parentes mais próximos” Maria Joanna Antunes Oliveira Rodrigues, 82 anos, aposentada

Luiza e Joanna

A sobrinha Luiza Domingues, 30, e Maria Joanna Antunes, 82: primeiro smartphone em 2016. Agora, Joanna usa WhatsApp diariamente.

Vera Lucia Galgoul, 69, dentista, mora no Rio de Janeiro e Ricardo Galgoul ,médico,70, Rio de Janeiro

Ricardo, 70, e Vera Lúcia Galgoul, 69, que moram no Rio de Janeiro: ela ameniza saudade dos netos recebendo fotos pelo WhatsApp.

Yeshua Rebello, 10 e Chaya Gabor, 7

Chaya Gabor, 7, e Yeshua Rebello, 10, netos de Ricardo e Vera: registros dos campeonatos de dança que participam vão direto para o celular.


AMPLICAÇÃO DA COMUNICAÇÃO DENTRO DA FAMÍLIA

De acordo com a psicóloga e apresentadora do prograa Supernanny, Cris Poli, autora do livro Atenção! Tem Gente Influenciando Seus Filhos (Editora Mundo Cristão), o relacionamento entre o idoso e os netos é de extrema importância por ser uma interação diferenciada de qualquer outra, em que o carinho, atenção, amor e diálogo profundo os aproximam e têm grande influência no desenvolvimento do ser humano. “O envolvimento do idoso com a tecnologia colabora no sentido de se sentir atualizado e envolvido com a evolução da humanidade nessa idade em que parece que não tem nada novo para aprender e viver”. Cris enfatiza também que o idoso deve romper as barreiras mentais da idade que podem bloquear seu ingresso à tecnologia. Depois disso, as descobertas de um mundo novo podem superar todas as expectativas. “Isso pode contribuir para que ele se sinta mais jovem interiormente e em sintonia com o mundo em volta dele”. A psicóloga afirma também que a entrada da tecnologia na vida do jovem e do idoso provocou uma revolução em todos os sentidos, dando acesso ao mundo lá fora e às informações do dia a dia que vêm invadir a mente e as emoções de maneira sem igual.


O primeiro contato de João com o computador foi quando o comprou para sua neta, a estudante de Rádio e TV Juliane Teixeira, 27. “Moramos só eu e ele em casa e, apesar das diferenças de gerações, nos damos muito bem. Acho muito legal que ele se interesse pela tecnologia. Meu avô sempre fica surpreso com os avanços e a facilidade de encontrar as informações e conteúdos, principalmente quando é algo engraçado”, relata a estudante. Em relação ao que ensinar no futuro para o avô, Juliane pretende presenteá-lo com algo especial. “Se eu pudesse, compraria um tablet para que ele tivesse seu próprio dispositivo e mais independência para usar”.

A tecnologia proporciona muitas oportunidades, mas a melhor delas é aproximar as pessoasl.

 

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