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Dia 22 de julho de 2016 | Por Revista D+ | Sobre QR CODE

Claudine Davids

          As variações linguísticas são um dos tópicos mais importantes de Língua Portuguesa na educação básica. É preciso que os alunos tenham oportunidades reais para aprender a utilizar o registro de língua mais adequado, de acordo com o público, o nível de formalidade exigido e o seu objetivo. Devem conhecer vários gêneros de texto e perceber as diferenças entre língua escrita e oral.

          No Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (CIEJA) Profa. Rose Mary Frasson, no município de São Paulo, por exemplo, os alunos usaram um gravador de voz para trabalhar a oralidade: contaram suas histórias num livro digital, com narração de histórias por meio do Audacity, um editor e gravador de áudio gratuito. O material foi gravado em DVD e apresentado às famílias numa reunião.

          A oralidade como objeto de atenção no ensino de língua materna (e não apenas estrangeira) vem sendo defendida por diversos pesquisadores. Num artigo de 2015, a linguista Kazue Saito M. Barros, professora da Universidade Federal de Pernambuco, relata como vários autores tratam a questão, sugerindo a professores de ensino médio e fundamental atividades e metodologias. Por exemplo, o professor pode gravar conversas informais entre alunos e, depois, conversas mais formais, como a simulação de uma audiência com uma autoridade. Uma vez transcritas as falas, podem ser identificados os traços mais/menos formais e comparados os estilos do mesmo falante, conforme a situação. Na sequência, o material pode ser comparado com outras gravações formais, obtidas através de outras fontes, como a TV, e analisado, por exemplo, em termos de pronúncia, escolha lexical e construções sintáticas.

          Kazue também faz considerações interessantes sobre a interação oral entre professor e alunos. Refere-se a duas formas principais de distribuição do turno pelo professor: ele pode dirigir uma pergunta à turma como um todo ou a um aluno especí­fico. Então, a pesquisadora investiga se existe alguma relação entre o tipo de pergunta feita e os processos de categorização do professor em relação a seus alunos. Mostra que, quando o professor quer uma resposta específica, ele aciona os alunos considerados “bons”, ao passo que os alunos mais “fracos” são incentivados quando não há uma resposta correta, um compromisso com certo ou errado (por exemplo, quando uma opinião pode ser resposta). Por outro lado, alunos considerados “bons” podem ser desencorajados a dar suas opiniões, uma vez que já contribuem com outros tipos de respostas. Kazue convida os professores a gravarem suas próprias aulas e refletirem sobre suas práticas e categorizações, analisando o tipo de pergunta direcionada a cada aluno.

SAIBA MAIS! Barros K. S. M. Tratamento da oralidade em sala de aula: contribuições para o ensino de língua. Filol. Linguíst. Port., São Paulo, v. 17, n. 1, p. 75-99, jan./jun. 2015.

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