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Quem são as pessoas que procuram a reabilitação sexual?

A AACD é especializada no tratamento de pacientes com deficiência física. Temos a reabilitação física, emocional, educacional e também a reabilitação da função sexual e fertilidade.

A reabilitação da função sexual e da fertilidade faz parte da reabilitação de qualquer paciente que tenha o diagnóstico da deficiência, desde que tenha idade para cuidar desse aspecto. Quem mais procura são adultos que já têm vida sexual, formação da vida sexual prévia à deficiência e que tiveram essa sequência alterada ou que nasceram com alguma deficiência e no seu desenvolvimento passa a querer informações, e até aqueles que já tem libido e vontade e querem ter a sexualidade desenvolvida no seu dia a dia.

No caso das mulheres, especificamente, um assunto que é sempre abordado, seja na consulta com o médico, seja nos acompanhamentos com o psicólogo, é a questão da fertilidade, das doenças sexualmente transmissíveis, da autoestima, da imagem e do desenvolvimento da sua sexualidade. Isso sempre é abordado e será desenvolvido de acordo com o potencial de cada paciente.

Quais são as principais queixas?

A primeira dúvida é sobre fertilidade. Na maioria das vezes, o potencial de fertilidade das mulheres após uma deficiência é mantido. Até mesmo no caso de uma lesão medular, por exemplo, a fertilidade é mantida. Existem muitas questões diretamente ligadas à forma de se relacionar, de ter um relacionamento sexual. Em uma sociedade que é regida e regrada por modelos e estereótipos que nós vemos na mídia, se ver de uma forma diferente causa um impacto. Isso é trabalhado no setor de psicologia da AACD.

Como funciona a reabilitação sexual? Que tipo de orientações estes pacientes recebem?

São duas partes: uma é a própria sexualidade, que é inerente ao ser humano, que tem muito a ver com o quanto ele gosta de si e do outro. A mulher se coloca muito na condição de objeto de desejo, isso até por causa da própria sociedade, que é machista. Então essa questão fica muito latente na mulher. Existem casos de exceção em que há uma hípersexualização da paciente. Esse também é outro extremo que deve ser trabalhado. Mas, na maioria das vezes, é primeiro um trabalho de autoconhecimento, e depois são trabalhadas questões para tentar desmistificar esse aspecto de que a pessoa com deficiência não pode ter vida sexual, exercer sua sexualidade, ser objeto de desejo ou desejar o outro. Na verdade, o que se procura na reabilitação, como um todo, não apenas na questão sexual, é a inclusão. E ela deve ser feita em todos os aspectos, não só físico, emocional, profissional, mas também sexual.

marcelo_fraseUma perda de movimentos, por exemplo, pode interferir na sensibilidade e, portanto, na produção das sensações de prazer?

O paciente com uma paraplegia, uma lesão na medula, pode ter alteração motora e de sensibilidade. E isso é o que mais prejudica, porque ela não vai ter a sensibilidade para sentir prazer: terá a sensibilidade prejudicada durante um ato de penetração vaginal, por exemplo. Muitas vezes, não vai ter abertura necessária das pernas para receber a penetração. São coisas que, para quem não tem deficiência, são tão automáticas e naturais, mas que para uma pessoa com deficiência passa a ser algo com que ela tem que se preocupar.

É possível ter uma vida sexual plena após um trauma físico que leve a uma deficiência?

É possível. Isso deve ser muito bem trabalhado. Se existe um parceiro fixo, também deve ser trabalhado com o parceiro ou parceira. É necessário levar em consideração o histórico de cada um. Tem pessoas que têm uma vida sexual mais desenvolvida, que querem isso, outras não têm e não querem. Então o histórico é muito importante. O sexo ainda é um tabu. Principalmente para a mulher, embora nós não consideremos como tabu. Muito pelo contrário, a AACD, na sua experiência em reabilitação, desde que começou a atender pacientes adultos, passou a abordar esse tema de alguma forma porque sabe que é importante para o indivíduo. Nós temos pacientes que têm vida sexual e social ativa depois da deficiência, que se casam, que têm filhos, ou que não se casam, mas que namoram, se divertem. Não é raro.

Existe algum tipo de orientação especial para as mulheres com algum tipo de deficiência física que desejam engravidar?

Existe. Se a paciente é paraplégica, por exemplo, ela deve acompanhar com um ginecologista e com o obstetra de maneira regular. Existem alterações que o corpo dela vai apresentar que podem ser diferentes de uma mulher que não é paraplégica. Infecções urinárias, por exemplo. Remédios que ela toma no dia a dia por ser paraplégica e que não vai poder tomar durante a gravidez é outra questão.

A forma de acompanhamento na última semana deve ser muito mais regular, a escolha da forma de parto também deverá ser de acordo com o grau de lesão da mulher, pois alguns partos são indicativos de serem cesarianos, outros podem ser partos normais. Não é considerada uma gravidez de alto risco no sentido de problemas com o feto e com a mãe, mas é uma gestação que gera cuidados. Vai haver aumento de peso, então ela terá que tomar cuidados para não formar feridas, por conta da cadeira. Então há uma série de precauções que ela deve ter, primeiro com o médico fisiatra, que é especializado em reabilitação, e depois com o obstetra. Se possível, é bom os médicos trocarem contato para que ela tenha uma gestação tranquila.

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