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Dia 9 de fevereiro de 2017 | Por Tais Lambert | Sobre Notícias

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Foi o primeiro dia de Seu Tião na praia. Nunca havia entrado no mar, e olha que este mineiro mora em Peruíbe, uma cidade litorânea de São Paulo, há 30 anos. “Mas nem na areia, Tião?”. “Nem na areia”, respondeu.

Sebastião Ferreira Silva, o Seu Tião, tem 69 anos, é biamputado dos membros inferiores e faz reabilitação no Instituto de Reabilitação Lucy Montoro, em Santos. No último domingo, ele e seus “amigos da reabilitação”, Ademir Gomes Leal, 64 anos; Eva Camargo Roedel, 58 anos; Eduardo Vasconcelos, 61 anos, e Alessandro Batista, 43 anos, todos eles com amputação de membro inferior, foram à Praia da Enseada, no Guarujá, curtir as inúmeras oportunidades do Projeto Praia Acessível – Esporte para Todos.

Realizado pela primeira vez no Guarujá, o projeto é uma iniciativa da Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude junto à prefeitura dos municípios escolhidos. Praia Grande e Santos já receberam o projeto: sempre de quinta à domingo, por duas semanas. De hoje, quinta-feira, dia 9, até domingo, dia 12 de fevereiro, a Praia da Enseada conta, pela segunda e última semana, com a tenda, os equipamentos e os profissionais do Praia Acessível.

Uma rampa de madeira foi construída para dar acesso à tenda do Projeto Praia Acessível – Esporte para Todos, na Praia da Enseada, no Guaruja

Uma rampa de madeira foi construída para dar acesso à tenda do Projeto Praia Acessível – Esporte para Todos, na Praia da Enseada, no Guaruja

E o que tem pra fazer?

O projeto oferece às pessoas com deficiência e mobilidade reduzida uma opção para curtir ao máximo a temporada de verão. Cadeiras anfíbias, piscina infantil, vôlei sentado, surfe adaptado, handbike, corrida em cadeiras adaptadas e até sling desk, uma terapia alemã, são as atividades que você poderá fazer.

“Aqui temos profissionais de educação física, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, pois para levar a pessoa com deficiência ao mar é necessário que sejam capacitados. Nós damos treinamento para cada um deles”, conta Fabinho Fernandes, 41 anos, com tetraplegia, da diretoria do Instituto Novo Ser, do Rio de Janeiro.

Cadeiras anfíbias e handbike disponíveis para os usuários

Cadeiras anfíbias e handbike disponíveis para os usuários

O projeto desenvolvido por eles no Rio existe há nove anos, por isso foram procurados pelo secretário de Esporte, Lazer e Juventude, Paulo Gustavo Maiurino, para a parceria que beneficiasse o litoral paulista.

“O programa foi concebido para atender pessoas que, aparentemente, não existem para a sociedade”, afirma o secretário. “O esporte proporciona saúde e bem estar. Isto melhora a qualidade de vida destas pessoas e dá a elas acesso a um patrimônio – a praia e o mar – que é direito de todos”, completa.

Fabinho Fernandes, da diretoria do Instituto Novo Ser, do Rio de Janeiro: "Estar aqui é um direito"

Fabinho Fernandes, da diretoria do Instituto Novo Ser, do Rio de Janeiro: “Estar aqui é um direito”

O Guarujá não contava com rampa de acesso à praia. Por causa do projeto, a prefeitura construiu uma de madeira, além de disponibilizar dois banheiros químicos adaptados. Isto, segundo Fabinho, com a promessa de construir acesso e banheiros fixos. “O objetivo maior é mostrar que estas pessoas existem, elas não são invisíveis; e possibilitar que saiam de casa para se divertir com qualidade, pois é um direito”, finaliza o secretário Paulo Gustavo Maiurino.

Banheiros químicos adaptados foram instalados próximos à rampa. Ao lado também há dois chuveiros

Banheiros químicos adaptados foram instalados próximos à rampa. Ao lado também há dois chuveiros

Quem foi na semana passada quer voltar nesta!

            Marli Aparecida Menezes, 45 anos, foi à praia com o marido Aridélio José da Silva, 48 anos, e o casal de filhos: Joyce, 11 anos, e Wandré, 6 anos. Marli é cega e tem mobilidade reduzida. “Não há palavras para expressar o quanto estou gostando. Tomar banho de mar e renovar as energias me deixou pronta para começar o ano!”, diz Marli. Para ela, assim como para a maior parte das pessoas com deficiência, ir à praia sem a presença do projeto é muito difícil, ou mesmo impossível.

            Com mielomelingocele, o caiçara Helton Nascimento da Silva Santos, 31 anos, estava lá pelo segundo dia para curtir a praia. “Esta é a primeira vez que participo do Praia Acessível e é ótimo. Já surfei e usei a cadeira anfíbia”, conta. Helton ainda ressalta a falta de acessibilidade na cidade: “Faltam guias rebaixadas nas calçadas e só construíram agora o acesso para a praia. Tem muita coisa para melhorar, e o projeto já é um grande passo”.

            Na opinião de Eva Camargo Roedel, da turma de amigos do Instituto Lucy Montoro, falta divulgação. “O projeto é o máximo, estamos muito felizes por estar aqui, mas a imprensa precisa divulgar muito mais”. Eva fez várias atividades, entre elas, a corrida na cadeira adaptada.

            Ademir Gomes Leal, 64 anos, com amputação na perna esquerda, achou o projeto excelente. “A gente só vai à clínica, ao mercado… Coisas do dia a dia, pois não há amigos que possam me fazer companhia e me ajudar para sair. Com um projeto assim, vir à praia se tornou possível”, relata.

            Para Eduardo Vasconcelos, 61 anos, com amputação na perna direita, o projeto poderia ficar muito mais tempo nas praias. “Pena que é apenas por duas semanas em cada praia. Quem sabe o projeto cresce e isso muda? Sem ele, a gente só fica sentado em quiosque. Que graça tem?”.

            A turma do Lucy Montoro aproveitou também para jogar o vôlei sentado, uma modalidade que integra pessoas com e sem deficiência. Assim como eles, muitas outras pessoas estiveram na Enseada na semana que passou para aproveitar a praia como nunca aproveitaram antes.

            Seu Tião, que diz ser caseiro e não gostar muito de sair, deixa seu recado: “É bom demais, ainda bem que eu vim!”.

Veja as fotos que a gente fez no final de semana passado, chame sua família e amigos e vá para o Guarujá: até domingo, das 9h às 15h, na Av. Miguel Stéfano, na altura do número 260, no posto 7 dos Bombeiros. Não deixe passar esta oportunidade!

Texto e fotos por Taís Lambert e Colaboração de Brenda Cruz, do Guarujá

 

 

Seu Tião, de 69 anos, na praia pela primeira vez: “É bom demais, ainda bem que eu vim!”

Seu Tião, de 69 anos, na praia pela primeira vez: “É bom demais, ainda bem que eu vim!”

 

Maria Aparecida Menezes, 45 anos, com seu marido Auridélio José da Silva: “Não há palavras para expressar o quanto estou gostando. Tomar banho de mar e renovar as energias me deixou pronta para começar o ano!”

Maria Aparecida Menezes, 45 anos, com seu marido Auridélio José da Silva: “Não há palavras para expressar o quanto estou gostando. Tomar banho de mar e renovar as energias me deixou pronta para começar o ano!”

 

Helton Nascimento da Silva Santos, 31 anos: “Esta é a primeira vez que participo do Praia Acessível e é ótimo. Já surfei e usei a cadeira anfíbia”

Helton Nascimento da Silva Santos, 31 anos: “Esta é a primeira vez que participo do Praia Acessível e é ótimo. Já surfei e usei a cadeira anfíbia”

 

Pedrina de Paulo Duarte, 66 anos, moradora do Guarujá, tem mobilidade reduzida devido a um derrame. Na handbike, ela diz: “As pessoas têm vergonha de dizer que tem algum problema. Este projeto é bom para estimulá-las a sair de casa”

Pedrina de Paulo Duarte, 66 anos, moradora do Guarujá, tem mobilidade reduzida devido a um derrame. Na handbike, ela diz: “As pessoas têm vergonha de dizer que tem algum problema. Este projeto é bom para estimulá-las a sair de casa”

 

Seu Raimundo, os netos e a equipe de profissionais que ajudam no banho assistido: diversão, inclusão e muita competência

Seu Raimundo, os netos e a equipe de profissionais que ajudam no banho assistido: diversão, inclusão e muita competência

 

A fisioterapeuta Ana Paula Abela aplicando a técnica da Sling Desk, terapia alemã que consiste na massagem e no alongamento sem a força da gravidade

A fisioterapeuta Ana Paula Abela aplicando a técnica da Sling Desk, terapia alemã que consiste na massagem e no alongamento sem a força da gravidade

 

Pedrina e Taiu Bueno, 54, ex-surfista com tetraplegia: passando para conhecer o projeto Praia Acessível. Ele acidentou-se na etapa do Circuito Mundial de Surf, em Paúba, no litoral norte de São Paulo, em 1992, aos 29 anos

Pedrina e Taiu Bueno, 54, ex-surfista com tetraplegia: passando para conhecer o projeto Praia Acessível. Ele acidentou-se na etapa do Circuito Mundial de Surf, em Paúba, no litoral norte de São Paulo, em 1992, aos 29 anos

 

Brunno Levi de Azevedo, 17 anos, com mielomelingocele: “Adorei o projeto. Muito divertido”

Brunno Levi de Azevedo, 17 anos, com mielomelingocele: “Adorei o projeto. Muito divertido”

 

Rodrigo, o pai de Brunno, dando uma volta na praia com o filho depois de aproveitar a handbike: oportunidade pela primeira vez no Guarujá

Rodrigo, o pai de Brunno, dando uma volta na praia com o filho depois de aproveitar a handbike: oportunidade pela primeira vez no Guarujá

 

Maurício Matta, 27 anos, com paralisia no lado esquerdo do corpo por conta de um acidente de carro há dois anos e meio: “O projeto é show de bola! Pois coisas que podem ser muito fáceis para você fazer, para nós não é”. Maurício usou a cadeira anfíbia e surfou

Maurício Matta, 27 anos, com paralisia no lado esquerdo do corpo por conta de um acidente de carro há dois anos e meio: “O projeto é show de bola! Pois coisas que podem ser muito fáceis para você fazer, para nós não é”. Maurício usou a cadeira anfíbia e surfou

 

Leo, com paralisia e Aparecido, com mobilidade reduzida e comprometimento da fala: corrida nas cadeiras adaptadas dirigidas pelos voluntários do projeto Empresto Minhas Pernas

Leo, com paralisia e Aparecido, com mobilidade reduzida e comprometimento da fala: corrida nas cadeiras adaptadas dirigidas pelos voluntários do projeto Empresto Minhas Pernas

 

Ademir Gomes Leal achou o projeto excelente. “A gente só sai para ir à clínica, ao mercado... Com um projeto assim, vir à praia se tornou possível”

Ademir Gomes Leal achou o projeto excelente. “A gente só sai para ir à clínica, ao mercado… Com um projeto assim, vir à praia se tornou possível”

 

Eva Camargo Roedel aproveitou tudo o que podia: “O projeto é o máximo, estamos muito felizes por estar aqui”

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Eduardo Vasconcelos diz que o projeto poderia ficar muito mais tempo nas praias. “Sem ele, a gente só fica sentado em quiosque. Que graça tem?”

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Alessandro Batista, 43 anos, da turma de amigos do Instituto de Reabilitação Lucy Montoro: “Eu participei do projeto Prasia Acessível em Santos. Amo ir ao mar e jogar vôlei. Tudo fica mais fácil quando é acessível a todos”

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Pessoas com e sem deficiência se divertindo no jogo de vôlei sentado: inclusão e amizade num final de semana especial

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Leo na cadeira para corrida, com a família e o pessoal do projeto Empresto Minhas Pernas: sol, praia e alegria, como é de direito de todos

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