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Dia 30 de agosto de 2017 | Por Mayra Ribeiro | Sobre Notícias e Saúde
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De acordo com os últimos dados divulgados no Atlas da Esclerose Múltipla, cerca de 35 mil pessoas no Brasil têm a doença, sendo efetiva principalmente entre adultos e jovens de 20 a 45 anos. Esta patologia – reconhecida pela sigla EM – é conhecida por não ter cura, ser autoimune, degenerativa e progressiva. Mas, este cenário pode estar em vias de mudança: conhecida comercialmente como ocrelizumabe, a molécula é um componente capaz de auxiliar no tratamento da esclerose múltipla remitente recorrente e da progressiva primária. Recentemente, foi aprovada nos Estados Unidos pelo Food and Drugs Administration (FDA) e será submetida à análise em territórios nacionais.

Pensando em contribuir com avanços em estudos relacionados ao tratamento da esclerose múltipla, a multinacional Roche Farma Brasil iniciou uma pesquisa em volta da promissora molécula há aproximadamente dez anos. Em junho de 2017 a empresa, que atua na produção de produtos farmacêuticos e de diagnóstico, revelou os resultados dos estudos de fase III.

A fim de saber mais informações sobre as últimas novidades, a Revista D+ fez uma entrevista exclusiva com Daniela Carlini, gerente médica na área de Neurologia da Roche. Quer saber como foi? Então, confira a conversa abaixo.

D+: O que são a esclerose múltipla remitente recorrente e a progressiva primária? Quais são os sinais destas doenças?
Daniela Carlini: A esclerose múltipla apresenta-se sob várias formas, sendo que a progressiva primária manifesta-se por meio da progressão da doença. Já a remitente recorrente é caracterizada por surtos de intensidade variada com regressão total ou parcial da patologia. Esta última forma pode evoluir para a esclerose múltipla secundária, na qual o paciente tem manifestações de progressão da doença e, sem recuperação, pode entrar em crises. Mas, no geral, a pessoa com esclerose múltipla apresenta sintomas muitas vezes inespecíficos. Dentre os mais comuns estão: fadiga imprevisível ou desproporcional à atividade realizada, visão dupla ou embaçada, problemas de equilíbrio e coordenação, sensação de queimação ou formigamento em uma parte do corpo, perda de memória, transtornos emocionais, problemas sexuais e alterações fonoaudiólogas.

D+: Explique sobre a ocrelizumabe. De que forma a molécula auxilia no tratamento das escleroses múltiplas remitente recorrente e progressiva primária?
Daniela: Antes de tudo, é importante entender como a esclerose múltipla atua no cérebro humano. Trata-se de uma doença em que as células do sistema imunológico do corpo, principalmente no linfócito B, atacam a bainha de mielina – substância cuja função é fazer com que o impulso nervoso percorra os neurônios de forma rápida. Este “ataque” é o responsável pelos surtos e agravamento da doença. Por sua vez, a ocrelizumabe é um anticorpo monoclonal que atua exclusivamente nesses linfócitos B em uma fase da vida em que eles têm uma proteína chamada CD20. O medicamento exclui apenas uma célula do sistema imunológico em uma fase de vida dela. Ao atacar essa célula responsável por iniciar toda a patologia, ele impede que a bainha de mielina seja atacada.

D+: Quais foram os benefícios observados no uso da ocrelizumabe no tratamento de pacientes com as escleroses múltiplas remitente recorrente e progressiva primária durante os estudos de fase III?
Daniela: No caso dos pacientes da forma remitente recorrente houve uma redução da taxa de surtos em 55%, aumento do número de casos sem evidências de atividade da doença em 76% e suplemento de mais de 90% das lesões ativas ao longo de dois anos. Os estudos também indicaram uma baixa na progressão da patologia nos membros superiores e mais facilidade na marcha. Enquanto que para a parcela de pessoas com a progressiva primária o tratamento diminuiu a probabilidade de surtos graves e progressão da doença, triplicou a quantidade de pessoas sem evidência de doença ativa, reduziu o risco da necessidade do uso de cadeira de rodas e melhorou a fadiga. Ou seja, os estudos mostraram que os sintomas estão sendo controlados com uma diminuição de agravamento do quadro clínico.

D+: Quais serão os próximos passos?
Daniela: Os próximos passos serão continuar a desenvolver os estudos relacionados à ocrelizumabe e submetê-la à aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa

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