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Em comemoração ao Dia do Surdo, 26 de Setembro, o Centro de Educação para Surdos – Rio Branco (CES), realizou o 16º Encontro Comemorativo ao Dia do Surdo. A tarde do dia 25, sexta-feira, foi de apresentações realizadas por alunos, convidados e profissionais, o público pôde prestigiar uma programação variada.

As apresentações começaram às 14h, com o Hino Nacional interpretado por alunos surdos. Logo em seguida, a apresentação da peça “O Tesouro da Família Pirata”, seguida pelo “Ballet Mazurca” e “Cai Chi”, do Instituto Adhara; “Sorrir” do CES Rio Branco; “Por um mundo Melhor”, do instituto Renovarte; “Zumba Sign Dance”, por Naiane Olah e Gustavo Lima; Chuva de Risos, do instituto Solar da Mímica; e encerramento com os convidados Luiza Caspary (cantora que utiliza em seus show e vídeos clips, áudio-descrição e interpretes de libras) e Jair Oliveira.

 Apresentação do Instituto Solar da Mímica / Crédito:Nathalia Henrique

Apresentação do Instituto Solar da Mímica / Crédito: Nathalia Henrique

A diretora do CES Rio Branco, Sabine Vergamini, contou sobre a importância do evento para a comunidade surda. “A ideia é justamente divulgar o potencial da comunidade surda, a língua de sinais, a cultura que a sociedade (ouvinte) não conhece. O objetivo é mostrar essa capacidade. As apresentações que tivemos hoje, com profissionais, amadores e com as crianças mostra isso” disse a diretora.

 Ivo Nascimento, Vice- Presidente da Fundação de Rotarianos / Crédito: Nathalia Henrique

Ivo Nascimento, Vice- Presidente da Fundação de Rotarianos / Crédito: Nathalia Henrique

O Sr. Ivo Nascimento é vice-presidente da Fundação de Rotarianos e esteve presente no evento. “Vimos pelo evento de hoje que todos nós estamos incluídos, não houve diferenças. E é com grande alegria que assistimos a esse espetáculo maravilhoso. Agora é muito importante que as pessoas e, principalmente a mídia, possam divulgar essas ações para que as pessoas entendam que ser diferente não impede nada”, disse com muita simpatia o vice-presidente.

Sobre as expectativas para o futuro e as metas a serem alcançadas, Ivo se mostrou bastante positivo, e revela que sua maneira de ver o mundo é acreditar no potencial do bem que cada um pode oferecer. “Nossa grande meta é a inclusão. Nós estamos expandindo e fazendo parcerias, acredito que tudo que fazemos de bom leva um tempo para que haja a assimilação. Este é um programa tão bonito! Precisamos valorizar o que há de melhor, mesmo nas situações mais difíceis”, conclui.

 Na esquerda a cantora Luiza Caspary, ela foi a primeira artista a fazer shows inclusivos utilizando, áudio-descrição e interpretes de Libras. Na direta o cantor Jair Oliveira que desenvolveu o projeto Grandes Pequeninos. / Crédito: Nathalia Henrique

Na esquerda a cantora Luiza Caspary, ela foi a primeira artista a fazer shows inclusivos utilizando, áudio-descrição e interpretes de Libras. Na direta o cantor Jair Oliveira que desenvolveu o projeto Grandes Pequeninos. / Crédito: Nathalia Henrique

O cantor Jair Oliveira foi prestigiar o evento e fez o show de encerramento. Para ele, encontros que proporcionam a integração são muito importantes para a sociedade. “Acho isso fantástico! Todos os níveis sociais deveriam abraçar as diferenças. É isso que eu tento passar no meu projeto, Grandes Pequeninos”.

Jair revela que suas filhas estudam no Colégio Rio Branco, e a respeito da integração entre alunos surdos e ouvintes, afirma que é uma questão tão natural para elas que não existe diferença. “Para as pessoas que não tiveram a oportunidade do convívio com as diferenças, pode ser mais difícil de lidar, mas para quem desde pequeno convive junto, isso é algo comum e extremamente natural. Às vezes, ela me ensina algumas coisas sobre a língua de sinais que aprende no colégio”, comenta o cantor.

Os shows foram sinalizados pelos interpretes de Libras, Thiago Nanuzi e Lívia Vilas Boas / Crédito: Nathalia Henrique

Os shows foram sinalizados pelos interpretes de Libras, Thiago Nanuzi e Lívia Vilas Boas / Crédito: Nathalia Henrique

Alunos e ex-alunos do Centro de Educação para Surdos estiveram no evento. Mickaella Steffany Sousa Monte, de 18 anos, é ex-aluna do CES. Hoje estuda no Cenearte, em Osasco, mas quando criança, participava das apresentações como a da Comemoração ao Dia do Surdo. “Até hoje eu venho aqui no CES, pois é uma boa escola para aumentar o conhecimento dos surdos, tem várias apresentações e é muito importante para a identidade surda”, conta Mickaella.

As amigas Karina Fabiano, de 16 anos, e Luana Costa, de 15, estudam no Colégio Rio Branco, ambas estudaram desde o período de estimulação no Centro de Educação para Surdos. Para Karina, a mudança para o Colégio Rio Branco foi algo radical, pois no CES todos eram surdos, a escola era toda sinalizada e no inicio ela sentia dificuldade com as provas do novo colégio. Os desafios foram se adaptar com a inclusão, também sentia vergonha do interprete e do professor. Para Luana, a adaptação também ocorreu aos poucos, mas hoje já se acostumou com os ouvintes e a trabalhar com o interprete de libras. As amigas disseram que sempre vão nesses eventos, mas hoje, apenas como espectadoras, pois gostam de ver, reencontrar os amigos e conhecer outros surdos.

Professor Fabio de Sá, desenvolve atividades lúdicas no ensino./ Crédito: Jessica Carecho

Professor Fabio de Sá, desenvolve atividades lúdicas no ensino./ Crédito: Nathalia Henrique

O professor Fabio de Sá participou do evento fazendo piadas no palco entre cada apresentação. Ele desenvolve diversas atividades com seus alunos, como rodas de leitura e teatro. Trabalha há três anos no CES e dá aula para crianças de várias idades, todas surdas. Também dá aulas para familiares da criança surda e em escolas de ouvintes que querem aprender para iniciar a inclusão.

Formado em Letras/Libras e Psicopedagogia, o professor acredita que a comemoração ao Dia do Surdo e o mês Setembro Azul, bem como as atividades lúdicas, todas voltadas para a língua de sinais, são importantes para cativar o respeito das pessoas. “A primeira língua sendo a de sinais, é importante, para ampliar o conhecimento e a cultura do surdo, interagir com outros surdos a fim de não terem comunidades surdas dispersas, mas uma única comunidade, embora não tenha apenas uma cultura”, declara o professor.

O Centro de Educação Para Surdos – Rio Branco

O CES Rio Branco recebe crianças a partir do diagnóstico da surdez, dessa maneira, é fundamental que se inicie o quanto antes os estímulos para o ensino da língua de sinais. O ensino da língua portuguesa começa na alfabetização, ficando sempre como segunda língua. O CES possui orientação às famílias com pais ouvintes, que recebem informações e cursos de Libras.

“O grande diferencial do nosso trabalho é que temos vários profissionais surdos, então eles são a grande referência para as famílias e para os alunos, demonstrando que o surdo tem todo o potencial de estudar, se formar, ser independente, ter uma família e uma profissão. Nós fazemos esse trabalho até o 5º ano do ensino fundamental, depois que a criança já está com a identidade surda formada, fortalecida, já fez parte desse ambiente linguístico privilegiado, passamos a incluir grupos de surdos em grupos de ouvintes com o acompanhamento de intérpretes de Libras” explica Sabine Vergamini, diretora do CES.

Por Brenda Cruz

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