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O neurologista e escritor britânico Oliver Sacks, morreu em sua casa, em Nova Iorque no dia 30 de agosto, aos 82 anos, vítima de câncer no fígado. O diagnóstico foi revelado após uma internação, em que foi informado de sofrer de metástase múltipla no fígado, procedente de um tumor original no olho, detectado há oito anos.

Com um artigo simples e direto, mas cheio de emoção, Sacks anunciou, no mês de fevereiro, no jornal The New York Times, que sofria de um câncer terminal e que teria apenas mais alguns meses de vida. “Acima de tudo, fui um ser com sentidos, um animal pensante, neste maravilhoso planeta, e isso, em si, foi um enorme privilégio e uma aventura”.

Oliver Sacks nasceu em 1933, em Londres, em uma família de médicos. Sua mãe era cirurgiã e o pai, clínico geral. Desde muito pequeno já era notado por seus professores o potencial intelectual daquele jovem.

 Formou-se em medicina em Oxford e depois se mudou para os Estados Unidos para fazer residência na University of California (UCLA), em São Francisco. Morava em Nova York desde 1965.

O renomado professor de neurologia e psiquiatria na Universidade de Columbia, onde obteve o título meritório denominado “Artista Columbia”. Passou muitos anos como instrutor e posteriormente como professor clínico na Faculdade de Medicina Albert Einstein, na Universidade de Yeshiva.

Em 1966, começou a trabalhar no Hospital Berth Abraham, no Bronx, em Nova Iorque. Na ocasião, encontrou um grupo de pacientes que se caracterizava por estar em estado catatônico havia décadas, eram incapazes de responder a quaisquer estímulos. Constatou que esses pacientes eram os sobreviventes de uma grande epidemia da doença do sono que assolou o mundo entre 1916 e 1927. Tratou-os, então, com um medicamento novo, o L-dopa, que permitiu que eles voltassem a uma vida normal. Este caso inspirou-o a escrever, em 1973, o livro Tempo de Despertar, que em 1990 foi adaptado para o cinema, no filme estrelado por Robin Williams e Robert De Niro.

O neurologista não parou por ai, tornou-se autor de best-sellers e escreveu livros inesquecíveis como: O Homem que Confundiu sua Mulher com um Chapéu, Um Antropólogo em Marte, Com Uma Perna Só, Alucinações Musicais e, Vendo Vozes: Viagem ao Mundo dos Surdos, uma das principais obras sobre a história dos surdos e língua de sinais. Nesse livro, o Dr. Sacks escreve sobre os vários aspectos da cultura surda, bem como a importância da linguagem e da comunicação para todos.

Sua autobiografia foi lançada no Brasil este ano, “Sempre em Movimento – uma vida” (Companhia das Letras). Na obra, o autor conta, sobre sua vida pessoal e sobre sua carreira médica. Aborda sua paixão por esportes, sua carreira como halterofilista, a homossexualidade e seu envolvimento com drogas.

Com uma maneira única de escrever, Sacks pretendia explicar de forma simples, e até mesmo humorada, a complexidade da mente humana, e as doenças. Pretendia aproximar aqueles que a sociedade tratava como diferentes, dos ditos normais. “Não quero parecer sentimental diante da doença. Não estou dizendo que seja preciso ser cego, autista ou sofrer de síndrome de Tourette, absolutamente, mas em cada caso, uma identidade positiva surgiu após algo calamitoso. Às vezes, a doença pode nos ensinar o que a vida tem de valioso e nos permitir vivê-la mais intensamente”, explicou em uma entrevista ao jornal, El País em 1996.

Em visita ao Brasil, em 1997, para lançar o Livro A Ilha dos Daltônicos, o neurologista foi ao programa Roda Vida, da TV Cultura. Em entrevista, revelou que não conseguia separar da sua vida a literatura e a medicina. Dessa maneira, buscava unificá-las em seus livros, escrevendo histórias da sua prática médica. “A escrita não me separa de meu trabalho clinico. Apesar da neurologia ser pobre em terapia e longa em narrativa. Acho que muitos pacientes com problemas neurológicos têm histórias extraordinárias e envolventes [para contar] aos que foram confiados. Assim, me parece um assunto natural, provocando o desejo da pessoa de comunicar sua experiência e contar histórias.”

 Por Brenda Cruz

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