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Dia 4 de abril de 2018 | Por Audrey Scheiner | Sobre Comportamento e Notícias
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Ao receber o diagnóstico de seu filho Eros Micael, Emanoele Freitas abriu uma janela de desafios em sua vida. Buscar conhecimentos sobre lidar com um autista com Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) a levou a estudar muito sobre o assunto, abraçar o universo do filho e fundar a Associação e Apoio à Pessoa Autista (AAPA), associação localizada em Nova Iguaçu (RJ). O amor de mãe foi ampliado para acolher mais crianças com o transtorno.

Emanoele, 39, que também é autora do livro Mediador escolar – recriando a arte de ensinar (Wak Editora), conta que foi muito difícil receber o diagnóstico quando o filho tinha sete anos, em 2011, porque ela não sabia nada do assunto, e na época, eram pouquíssimos profissionais que conheciam o autismo. “Eros tinha um diagnóstico de surdez, então, foi uma reviravolta muito complicada e muito tempo perdido devido à falta de informação”, afirma a mãe.

“Precisei ir estudar em São Paulo e em Porto Alegre e na época eu tinha uma emprego que me dava condições. Consegui me capacitar, mas não sabia lidar mesmo assim, porque nenhum curso explicava o que era realmente TOD”, enfatiza Emanoele. O entendimento sobre o avançado transtorno ela só foi encontrar quando foi estudar no exterior. “Quando fiz meu primeiro curso internacional pela faculdade John Hopkins, a situação piorou um pouco. Por orientação de alguns terapeutas, larguei meu emprego para me dedicar ao Eros. Porém, os tratamentos eram muito caros e eu não consegui levar adiante nenhum deles”, conta.

Eros e sua mãe Emanoele. Amor acima de tudo

Eros e sua mãe Emanoele. Amor acima de tudo

Hoje com 14 anos, Eros, devido ao comportamento do transtorno (agressividade, discussões e irritabilidade), foi dispensado pelo neuropediatra da escola e faz somente terapia individualizada. “Mas frequenta sala de recursos duas vezes na semana quando está bem”, relata Emanoele.

Segundo Priscila Romero, autora do livro O aluno autista – avaliação, inclusão e mediação (Wak Editora), 43, especialista em Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva e Educação Especial com Ênfase em Autismo, os tratamentos para pessoas autistas variam conforme a necessidade de cada um, pois o transtorno é amplo e variado. “As dificuldades geradas que baseiam o tripé do espectro são de comunicação, relação social e interesses [restritos e muitas vezes incomuns], mas nem todo indivíduo com autismo terá prejuízo nos três âmbitos”, diz a profissional.

Priscila comenta também que terapias como psicologia, psicomotricidade, fonoaudiologia, arteterapia e musicoterapia podem trazer excelentes ganhos. “E devemos lembrar que quanto mais cedo houver diagnóstico e intervenção melhor será o resultado. Como pedagoga, não posso deixar de mencionar o grande benefício que a Mediação Escolar traz aos alunos com Transtorno do Espectro Autista [TEA] e outras deficiências”.

Projeto de uma missão

Única ONG na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro especializada em autismo, a AAPA foi fundada em 2011, momento mais crítico na vida de Emanoele. “Não existia nenhuma informação, nenhum curso voltado para os pais, nem grupo de apoio psicológico. Inicialmente, a AAPA era somente para os pais. Eu já apresentava os sintomas da depressão, como várias mães que chegaram”, relata. Foi em 2013, quando a mãe dela faleceu, que tudo precisou mudar novamente. Parei de trabalhar para cuidar dos meus filhos sozinha, então iniciei os atendimentos terapêuticos para que o Eros e a Ohanna, irmã do Eros, pudessem ficar comigo o dia inteiro e ele ter o atendimento adequado”.

Hoje, a associação atende 55 crianças e jovens com TDAH, TOD e depressão.

“Sempre idealizei o atendimento de forma individual e humanizada. Agora, nosso foco é nos treinamentos parentais e montagem  das salas de testes auditivos e de imagem, mas já temos em pleno funcionamento o projeto natação especial, sessão azul  especial, onde representamos na Baixada  Fluminense o projeto de autoria de um casal parceiro,  junto a Kinoplex, o Projeto vencendo o autismo pela arte, cultura e esportes”, conta orgulhosa.

Para Emanoele, a conquista para a AAPA se tornar um grande centro está apenas começando. “Tenho certeza em meu coração que ainda seremos o centro de pesquisas e tratamento do autismo como sonho, para tanto já estou me preparando e especializando cada dia mais para um dia ajudarmos mais e mais no diagnóstico correto”, finaliza.

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