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Incidência no Brasil é de quatro em cada mil nascimentos

Maria Cristina Braga e Paula Otto, que integram o Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco, fizeram uma estimativa da incidência de surdez infantil para calcular as chances de que o bebê seja acometido pela síndrome. O estudo permitiu um maior entendimento da doença e auxilia no aconselhamento genético oferecido por médicos na Universidade de São Paulo. Tal procedimento evita a falta de audição que está interligada à questão hereditária.

As pesquisadoras notaram que a ocorrência da deficiência auditiva está relacionada a fatores de crescimento econômico. A disfunção aparece de três a quatro vezes mais nos países em desenvolvimento. Isso acontece porque 84% dos casos têm uma causa ambiental nesses territórios.

Dentre os agentes externos, eles podem atuar em situações de transtornos durante a gravidez (infecções ou doses altas de certos remédios), carência nutricional e de saúde das gestantes, problemas respiratórios não tratados do recém-nascido ou complicações de doenças como a meningite e o sarampo. Como essas questões são mais delicadas em Estados de menor infraestrutura pública, acaba sendo natural que as mulheres que não tenham acompanhamento pré-natal e pós-natal imediato adequado sofram de distúrbios que poderiam ter sido evitados.

Outra condição é a genética, que apesar de mais rara em países em desenvolvimento, contribui com um número significativo de deficientes auditivos. Por isso, é importante que as famílias que já tenham histórico de surdez em algum de seus integrantes sejam orientadas para a possibilidade de repetição da deficiência. Com as informações, o casal pode decidir sobre ter ou não filhos. Nas áreas com elevado crescimento econômico e médico-sanitário, a proporção se inverte: 60% estão associados às causas hereditárias.

Casamentos consanguíneos aumentam a possibilidade de a criança nascer surda, sejam os pais afetados ou não. As chances são 17 vezes maiores se o casal for de primos do primeiro grau, que se não tivesse parentesco. Nessa última condição, a reiteração da falha, se ela decorrer de um mecanismo recessivo (que é o caso da maioria), verifica-se uma probabilidade de 18% que o bebê apresente ensurdecimento, um nível que pode ser considerado bem alto.

O fato de existirem várias fontes de surdez torna complexo o cálculo dos riscos de ocorrência do distúrbio. Além disso, há muitas variedades inatas. Pode acontecer de não se detectar a origem (genética ou ambiental), que é a situação mais frequente no aconselhamento genético.

O Instituto de Biociências (IB) da USP, que fica localizado na Rua do Matão, realiza exames para mais de 30 doenças diferentes, que estão relacionadas aos genes. O paciente pode contribuir como deseja, nenhum valor é cobrado pelos testes.

Fonte: USP

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