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Dia 29 de abril de 2016 | Por Cintia Alves | Sobre Espaço TILs

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Assim como o espaço escolar, os aspectos referentes ao tempo também são pouco estudados no âmbito da tradução e interpretação da Libras/Português. Além de ser um assunto que suscita muita reflexão, pode ser determinante nas relações estabelecidas e na atuação do tradutor/intérprete de língua de sinais em sala de aula.

Primeiramente, precisamos compreender que o panorama adotado neste artigo, sobre os aspectos referentes ao tempo escolar, está diretamente ligado ao desenvolvimento das competências do Tils, já trazidas em outras edições da Revista D+.

Assim, conceituaremos tempo na perspectiva grega, que dispõe da seguinte forma: Kronos, o tempo do relógio; Kairós, o momento da oportunidade, o tempo em que algo especial acontece e tem natureza qualitativa; e Aión, que designa a intensidade do tempo vivido.

Neste contexto, é de fundamental importância que o Tils pense o seu tempo não somente como kronos, ou seja, tenha um horário para chegar à escola, entrar em sala de aula, fazer o seu trabalho e ao final do turno, ir embora. Mas também, na perspectiva de kairós e aión, nos quais o profissional precisa aproveitar o tempo disponível nas aulas com intensidade/qualidade, visando ao melhor desempenho na tradução e interpretação para beneficiar sempre mais os alunos surdos.

Como o Tils sempre estará subordinado à sistematização do regente da aula, é preciso entender que cada professor pode ter uma forma diferente de organizar o tempo: alguns preparam atividades individuais ou em grupos; outros planejam a aula inteira com exposição e explicação da matéria; há os dias de prova, nos quais a aula é dedicada à avaliação de conhecimentos; dentre outros.

Diante das diferentes possibilidades de organizações, é importante que o Tils saiba como ocupar seu tempo em sala de aula – com qualidade – que, na maioria das vezes, será interpretando ou traduzindo. Assim, trazemos algumas dicas importantes que precisam ser observadas pelo profissional da tradução e interpretação de língua de sinais em relação ao tempo:

  1. É de suma importância que o Tils sempre saiba e estude o conteúdo a ser trabalhado pelos professores nas aulas referentes a cada dia letivo. Para tanto, é imprescindível que use um tempo significativo – fora do horário de aula – para preparar e planejar a tradução/interpretação.
  1. Em sala de aula, é muito comum que o professor destine um tempo para leitura individual, realização de exercícios ou até mesmo cópia da lousa ou de algum material. Nestes momentos, o Tils deve ficar à disposição dos alunos surdos para eventuais perguntas. No entanto, na maioria das vezes, ele fica ocioso. Então, é recomendável que sempre use esse tempo para o desenvolvimento da competência referencial e leia/estude o conteúdo que está sendo trabalhado naquele momento.
  1. Nos casos eventuais de aulas vagas, é pertinente que o Tils invista no estudo de alguma das principais competências necessárias ao profissional da tradução/interpretação. É de muito bom senso evitar gastar esse tempo em bate-papo com os alunos.

Pensar no tempo escolar nos desafia a refletir na função do tradutor/intérprete de língua de sinais dentro da escola também como agente de construção e reflexão, tanto do ato interpretativo, quanto da profissionalização dessa categoria. Nesse sentido, o tempo escolar deixa de ser aquele tempo de cumprir com as obrigações, de realizar atividades que se destinam meramente a preencher a carga horária.

Silvana Zajac é professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (LAEL/PUCSP), mestra em Educação (Unimep) e bacharelada em Letras/Libras (UFSC/Unicamp)

* Para participar com perguntas e sugestões, escreva para tilsdmais@gmail.com

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