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Dia 6 de março de 2017 | Por Audrey Scheiner | Sobre Cultura e Música e Notícias

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Na terça-feira (28), a escola de samba Acadêmicos do Tatuapé recebeu a melhor notícia do ano, que durará até o próximo carnaval: foram campeões do carnaval de São Paulo. A importância da vitória tocou a todos os participantes da escola, principalmente os carnavalescos com deficiência.

Silmara Coelho Morais, 54, é professora do ensino fundamental estadual e tem baixa visão. Ela diz que a felicidade que sente pela escola é imensa. “A sensação é a explosão de felicidade coletiva e um forte sentimento de gratidão a todos que me deram a oportunidade de desfilar e fazer parte desta comemoração mesmo com a minha condição”, afirma.

Silmara diz que é focada nos ensaios e sempre colabora com o que pode oferecer a escola.

Silmara diz que é focada nos ensaios e sempre colabora com o que pode oferecer a escola.

O tema Mãe-África conta a sua história: Do Berço Sagrado da Humanidade à Terra Abençoada do Grande Zimbabwe tem a ver com tudo que a escola de samba Acadêmicos do Tatuapé representa pra Silmara: força, garra, união, humildade, amor. “Uma kizomba de um povo feliz”, relata a professora, referindo-se ao gênero musical e estilo de dança originários de Angola.

Em relação ao processo participativo, Silmara afirma que cada integrante, seja ele com ou sem deficiência, tem que levar a sério o comprometimento nas atividades da Acadêmicos do Tatuapé. “Embora essa participação possa parecer mínima, a somatória de todos os componentes é muito importante para a harmonia e a evolução da escola. Por isso, procuro dar o melhor de mim nos ensaios, tenho cuidado com o traje ou a fantasia que me entregam, canto com alegria o samba enredo e procuro conhecer a história que será contada pela escola na avenida, para que, no dia do desfile, eu possa fazer a minha parte. Essa é a única forma que tenho para retribuir todo esse carinho, essa felicidade que a escola me proporciona”, revela.

Silmara enfatiza que esse processo pode ser traduzido por uma palavra usada por todos da escola o ano inteiro: Ubuntu, que significa “Uma pessoa é uma pessoa através (por meio) de outras pessoas”.  “Nós, componentes, com deficiência ou não, vivemos isso na quadra, nos ensaios técnicos e juntos levamos nosso carnaval, o nosso canto, a nossa alegria para o sambódromo com imenso respeito a toda essa diversidade cultural, religiosa e étnica que compõe o continente africano”.

Segundo a professora, a melhor forma de expressar a alegria de participar de uma escola vencedora é dizendo mais uma palavra que aprendeu durante os ensaios: Sawabona, um cumprimento usado no sul da África que quer dizer “Eu te respeito, eu te valorizo, você é importante para mim”. “É assim que nós, pessoas com deficiência, nos sentimos: valorizados, respeitados e incluídos neste processo festivo que é o carnaval. Tudo isso faz nos sentir vitoriosos também. Podemos e devemos ser felizes!”, finaliza.

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