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Há 16 anos a X-9 Paulistana apoia a inclusão social de pessoas com transtornos mentais no mercado de trabalho e no cenário cultural. A escola de samba, localizada na região Jardim São Paulo, agregou aos departamentos e ao seu cotidiano a ala Loucos Pela X.

Formada este ano por 70 participantes, sendo 30 pessoas com transtornos mentais e seus familiares, a ala que confecciona os próprios adereços utilizados em figurinos e também auxilia em toda a preparação do desfile que antecede o carnaval, sai à avenida na madrugada deste domingo (26). O enredo Vim, Vi, Venci – A Saga Artística de um Semideus é uma homenagem ao Inos Corradin, artista plástico italiano que se instalou em Jundiaí, interior de São Paulo. A ala Loucos Pela X será responsável por representar a obra, as montanhas, os mares e os casarios.

Fabriciana Santos experimentando uma das fantasias ainda disponíveis para aquisião da ala Loucos Pela X

Fabriciana Santos experimentando uma das fantasias ainda disponíveis para aquisição da ala Loucos Pela X

De acordo com Pedro Gava, 37 anos, psicólogo e chefe da ala Loucos Pela X, é de extrema importância que as escolas de samba propiciem espaços de inclusão para as pessoas com deficiência, pois essa é uma forma de fazê-las sentirem-se parte da sociedade como qualquer outra pessoa. “As escolas foram criadas para o lazer, mas ao mesmo tempo são um meio de resistência popular por permitirem um novo jeito de se organizar e de aproveitar a cidade. Acredito que as pessoas com deficiência também têm esse direito de resistir. Resistir no sentido de não terem que viver quietas e nem segregadas”.

No caso da X-9 Paulistana, a ala que tem pessoas com transtornos mentais tem o intuito de quebrar os paradigmas existentes na sociedade. “Por muitos anos a questão da loucura foi tida como sinônimo de incapacidade, sendo impedida até de participar do convívio social”, afirma Gava. Por essa razão, a Loucos Pela X foi concebida desde o início longe da ideia de ser uma ala especial. A intenção é criar um bloco como qualquer outro, no qual todas as pessoas que queiram desfilar possam sair juntas à avenida e se divertir.

“Queremos incluir a pessoa com deficiência mental de verdade e não apenas pelas diferenças. A ala está aberta para todos”, explica o chefe. A escola costuma destinar de 30 a 40% da ala para as pessoas com transtornos mentais que não têm condições de comprar fantasias, enquanto que o restante do espaço no bloco é vendido a quem se interessar em participar.

Para o carnaval deste ano, a expectativa da X-9 é conseguir se divertir e ser reconhecida novamente como uma grande escola – durante o desfile de 2016, a X-9 teve imprevistos que saíram do controle e acabaram comprometendo a performance.

Família X-9

“A escola não viu como um acontecimento que precisava se preocupar ou que necessitasse mudar o seu jeito de ser. Encarou como encara qualquer pessoa chegando para fazer parte da família X-9”. Essas são as palavras utilizadas por Pedro Gava para descrever a recepção da escola de samba com a ala inclusiva.

A Loucos Pela X foi agregada à X-9 por intermédio de Lucas Pinto. O carnavalesco queria desenvolver um enredo sobre o Arthur Bispo do Rosário, artista plástico que viveu por 40 anos em um manicômio no Rio de Janeiro. Mesmo tendo sua obra reconhecida, Rosário não conseguiu resolver todas as questões burocráticas, pois toda a sua arte havia sido realizada dentro de um hospital.

Esta fatalidade inspirou a realização de um enredo sobre o papel e suas funções. No meio do processo, Pinto descobriu por acaso que existia em uma região de São Paulo um ambulatório de saúde mental no qual um grupo de psicólogos e pacientes com transtornos mentais mexia com papéis reciclados e os convidou para desenhar uma fantasia em homenagem ao Arthur Bispo do Rosário. Após esta primeira parceria, a X-9 gostou do resultado da fantasia confeccionada e da performance do grupo na avenida. Estes retornos positivos fizeram o trabalho seguir até os dias de hoje.

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